D. Manuel Clemente afirma que a realização de consistórios extraordinários, no Vaticano, acontece por vontade de Leão XIV em «trabalhar juntos»

Lisboa 02 jul 20926 (Ecclesia) – O cardeal D. Manuel Clemente disse à Agência ECCLESIA que o consistório extraordinário, que decorreu em Roma, sinaliza uma forma de participação dos cardeais no governo da Igreja, desejada por Leão XIV, e tem continuidade nas plataformas digitais.
“Leão XIV quer trabalhar assim. E, hoje em dia, também tecnologicamente é possível”, disse o patriarca emérito de Lisboa, acrescentando que já enviou ao Papa uma comunicação e passados uns dias “tinha a resposta dele”.
D. Manuel Clemente recorda a ideia partilhada pelo Papa, após ter sido eleito: “os senhores elegeram-me, agora vamos trabalhar juntos… isto é muito complexo, e eu preciso da vossa ajuda”.
“O conjunto do Colégio Cardinalício pode representar e manifestar muito do que é a vida no mundo. E o Papa Leão conta com isso”, sublinhou o patriarca emérito de Lisboa.
Nos dias 26 e 27 de junho, o Papa Leão XIV convocou o segundo consistório extraordinário do seu pontificado, depois do que ocorreu nos dias 7 e 8 de janeiro, com o objetivo de promover uma consulta alargada aos 241 cardeais de todo o mundo sobre a pastoral da Igreja Católica, assumindo a exortação apostólica ‘Evangelii Gaudium’, documento programático do pontificado do Papa Francisco, como referencial “decisivo”.
Numa carta enviada a todos os cardeais, divulgada pelo Vaticano a meados de abril, Leão XIV retoma as conclusões do consistório extraordinário de janeiro e aponta para uma reflexão entre todos que ative a passagem de uma “pastoral de conservação” para uma “pastoral missionária”.
D. Manuel Clemente lembra que o Papa Leão “conta com esta colaboração do Colégio Cardinalício”, através da participação em consistórios extraordinários, tendo já “outros anunciados”.
“Se calhar, vai ser assim todos os anos”, acrescentou, apontando para a possibilidade da reunião possivelmente decorrer em “mais dias”.

Para o especialista em História da Igreja, a realização dos consistórios extraordinários, que possibilitam uma consulta a representantes da Igreja Católica em todo o mundo, para além de ser uma intenção do Papa, é uma possibilidade na atualidade, pela crescente facilidade nas deslocações.
“Durante muitos séculos, os consistórios eram feitos através de reuniões do Papa com os cardeais que estavam em Roma, não com aqueles que estavam o mundo inteiro. Hoje é diferente: temos as comunicações, e, portanto, é mais fácil reunir”, referiu.
D. Manuel Clemente lembrou que, no pontificado do Papa Francisco, as reuniões com os cardeais de todo o mundo não eram tão frequentes.
“Sou cardeal desde 2015 e fui a dois consistórios, durante o pontificado do Papa Francisco, e muito pontuais. Um era sobre as finanças do Vaticano, e o outro era sobre a organização da Cúria”, lembrou.
Para além dos consistórios extraordinários, o Papa convoca também consistórios ordinários, com a presença dos cardeais de todo o mundo no Vaticano, normalmente para a criação de novos cardeais.
Para além dos consistórios, o Colégio Cardinalício reúne os membros com menos de 80 anos em conclave para a eleição do Papa.
O Colégio Cardinalício tem 241 cardeais oriundos de 92 países dos cinco continentes, incluindo Portugal, entre os quais 117 eleitores; Portugal tem seis cardeais, quatro deles eleitores.
PR
