Venezuela: «A esperança da vida nunca se perde», afirmou diretor da Cáritas Diocesana de La Guaira

Força Operacional Conjunta portuguesa resgatou um homem que esteve oito dias soterrado, esta quinta-feira

La Guaira, Vargas, Venezuela, 02 jul 2026 (Ecclesia) – O diretor da Cáritas Diocesana de La Guaira, na Venezuela, afirmou que “a esperança da vida nunca se perde”, sete dias após os dois sismos, e explicou que pensam “em metas de curtíssimo prazo, para a crise humanitária”.

“Para onde quer que vá há um prédio em ruínas, uma casa em ruínas, pessoas dormindo nas ruas, pessoas procurando os seus parentes. O clamor do povo agora é pela vida, para tentar resgatar seus entes queridos com vida, e fornecer-lhes comida de alguma forma; é isso que eles pedem, poder comer”, disse diácono Ruben Perdomo, publicou hoje, 2 de julho, o portal online ‘Vatican News’.

O diretor da Cáritas Diocesana de La Guaira afirmou que “a esperança da vida nunca se perde”, embora a vida esteja sempre presente numa perspetiva de fé, mas querem encontrar pessoas vivas, “isto é, a remoção dos escombros, continuar as buscas, continuar tentando”.

O balanço oficial da tragédia ocorrida a 24 de junho ascende a 2295 vítimas mortais e 11 267 feridos, num cenário de devastação que afetou gravemente a capital e a região costeira de La Guaira; as autoridades confirmam a morte de pelo menos 75 cidadãos portugueses ou lusodescendentes, contabilizando ainda 66 pessoas desaparecidas ou incontactáveis na sequência da catástrofe.

Esta quinta-feira, Hernán Gil, de cerca de 40 anos, foi retirado dos escombros de um edifício em Catia La Mar, também no município de Vargas, após oito dias soterrado, pela Força Operacional Conjunta (FOCON) portuguesa, e depois de três dias de uma operação que mobilizou socorristas, militares e paramédicos.

O diácono Ruben Perdomo recordou que os sismos aconteceram há “uma semana” e, “milagrosamente”, as pessoas ainda são “encontradas vivas sob os escombros”, mas alerta para “a situação sanitária” que complicou com “a escassez de sacos para cadáveres e morgues improvisadas”.

Foto: ANEPC/RSBL; Força Operacional Conjunta (FOCON) portuguesa

Segundo o diretor da Cáritas La Guaira começam a viver “uma emergência sanitária”, após a “grave emergência humanitária”, porque têm “muitos corpos que não foram recuperados”, e aproximadamente 30 mil famílias ficaram sem casa.

“Muitas pessoas estão a dormir nas ruas, em parques, e a partir desta semana, por volta de sexta-feira ou sábado, estimamos que o êxodo e o processo de luto começarão para aqueles que desejam resgatar seus entes queridos presos sob os escombros”, acrescentou, sobre uma situação “muito séria, muito crítica”, pedindo “oração de todos”.

A Cáritas Diocesana de La Guaira tem “seis centros de recolha”, distribui alimentos e apoiam as comunidades, também os sacerdotes “têm recebido uma resposta, como líderes sociais”, o responsável assinala que as pessoas “são muito apegadas aos padres nas paróquias”, e sentem a resposta da Igreja “nesta emergência humanitária”.

“Estamos a tentar retribuir graças ao apoio de muitas organizações internacionais que têm fornecido recursos, e tudo tem sido distribuído à população; o caminho que temos pela frente é árduo e lento, mas com a ajuda de Deus vamos superar; La Guaira é uma comunidade resiliente, a Venezuela é uma comunidade resiliente”, desenvolveu o diácono Ruben Perdomo, ao ‘Vatican News’.

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, o diretor da Cáritas Diocesana de La Guaira assinala que, “desde o primeiro dia”, o Papa Leão XIV “está atento à situação na Venezuela, está rezando a Deus”, o núncio apostólico, arcebispo Alberto Ortega Martín, “tem sido muito atencioso, e o episcopado venezuelano tem-se mantido vigilante”.

CB/OC

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