Chefe de redação da Agência ECCLESIA desafiou os professores da disciplina a liderarem uma reflexão crítica sobre a inteligência artificial.
Fátima, 04 jul 2026 (Ecclesia) – O chefe de redação da Agência ECCLESIA, Octávio Carmo, considera que a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC) pode assumir “um papel decisivo na resposta aos desafios colocados pela inteligência artificial”.
Na conferência «Os professores de EMRC no tempo da ‘Magnífica Humanização’ – Apresentação dos ‘traços’ e dos desafios educativos mais relevantes da recente Carta Encíclica do Papa Leão XIV», este sábado, em Fátima, o jornalista defende que a disciplina possui uma responsabilidade “singular” num tempo marcado por profundas mudanças tecnológicas, antropológicas e culturais.
No encontro dos responsáveis pelos Secretariados Diocesanos da EMRC, Octávio Carmo sublinhou que “a verdade não nasce num clique, não dá para terceirizar na inteligência artificial a reflexão que é necessária para assegurar o conhecimento”.
“Não sou excessivamente pessimista sobre a inteligência artificial e creio que a EMRC tem uma grande vantagem: quando tem de dizer que a inteligência artificial não é o oráculo divino, imediatamente tem uma alternativa”, apontou.
Na sua perspetiva, a disciplina deve ajudar os alunos a “compreender como são produzidas as respostas da IA, que dados utiliza e que visões do mundo podem ficar excluídas desse processo”.
“Perante o fascínio do desenvolvimento tecnológico, a EMRC tem quase a missão de ser um pequeno Vaticano nesta reflexão: dar um passo atrás e perguntar como é que este processo é feito, que dados estão a ser utilizados e o que é que o pensamento cristão tem para dizer sobre tudo isto”.
Como a escola vive uma transformação que ultrapassa largamente a dimensão tecnológica, o chefe de redação da Agência ECCLESIA salienta que a sociedade está perante uma “transformação antropológica, epistemológica e tecnológica, mas, acima de tudo, perante uma transformação da forma como vemos o mundo”.
Neste contexto, acredita que a EMRC não pode limitar-se a ensinar ferramentas digitais.
“O lugar da EMRC não é apenas refletir sobre como utilizar a inteligência artificial. É perceber que impacto esta transformação está a ter sobre as novas gerações, sobre a forma como se relacionam entre si e sobre a forma como se relacionam com o conhecimento”, desenvolve.
“O desafio de ser plenamente humano é difícil. Mas é o mais bonito que nós temos. Com as feridas, com as alegrias, com a poesia, com a espiritualidade e com o silêncio, todas as coisas que são muito difíceis de traduzir para um algoritmo”, completa.
LFS
