Responsável na Diocese do Algarve destaca necessidade de uma catequese como “experiência de portas abertas” e a passagem do catequista de “mestre a testemunha”.
Fátima, 04 jul 2026 (Ecclesia) – O padre Pedro Manuel, da Diocese do Algarve, considera que acompanhar na fé significa “fazer caminho em conjunto com alguém” e que a catequese deve ser compreendida como uma relação de encontro e de reconhecimento da dignidade do outro.
“Eu creio que hoje, como ontem, acompanhar é fazer caminho em conjunto com alguém”, afirmou o sacerdote, na sua intervenção no encontro nacional dos responsáveis pela catequese, que decorreu, esta semana, em Fátima
Na reflexão que trouxe aos responsáveis de catequese, subordinada ao tema «O catequista e a arte de acompanhar, perspetiva de quem recebe e transmite», o sacerdote lembrou que este acompanhamento implica uma leitura espiritual da vida do outro, reconhecendo-a como dom.
“Isso faz com que eu seja capaz de olhar para a história do outro, percebê-la como sagrada, perceber também que a história do outro é tão importante quanto a minha e que o outro que está ao meu lado é um dom. Acompanhar é sempre olhar o outro como um dom”, referiu.
O sacerdote alertou ainda para os desafios atuais da catequese, defendendo que o catequista não pode limitar-se à transmissão de conteúdos, mas deve assumir sobretudo uma atitude de testemunho.
“Eu preciso ter os conhecimentos, preciso de ter conhecimento da doutrina, mas preciso conhecer o Nosso Senhor, preciso conhecer Jesus. E o que testemunha é aquele que melhor conhece”, afirmou, acrescentando que “passamos do catequista que pode ter a tentação de ser mestre ao catequista que deve ter a missão de ser testemunha”.
O padre Pedro Manuel destacou ainda que a catequese deve ser um “espaço aberto a todos”, independentemente da origem, percurso ou situação de vida.
“Em primeiro lugar, ter consciência de que a catequese é uma experiência de portas abertas” sublinhando que nela têm lugar “quem vem da rua, do bairro, de um país em guerra ou quem chega por convite de um amigo”.
Na sua perspetiva, esta abertura deve traduzir-se também numa atenção concreta às fragilidades sociais e humanas presentes nas comunidades.
“A realidade solidária com quem está em sofrimento, com quem está a passar pela cruz, é uma realidade eminentemente cristã. A catequese tem de contemplá-la”, referiu, acrescentando que também “a realidade de quem é desterrado, de quem é exilado, de quem procura uma vida melhor” deve ser integrada na ação catequética.
LFS

