Europa: Bispos da COMECE «profundamente preocupados» com novo regulamento das migrações

«A migração não é apenas uma questão de procedimentos, estatísticas ou gestão das fronteiras», afirma D. Mariano Crociata

Bruxelas , 18 jun 2026 (Ecclesia) – A Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia (COMECE) pede que “as políticas de migração e asilo continuem assentes no respeito pela dignidade humana”, após o Parlamento Europeu ter aprovado o novo regulamento de regresso de migrantes.

“A votação de hoje vai além da política de migração. Levanta uma questão mais ampla sobre o tipo de Europa que desejamos construir. Neste momento decisivo, a Europa é chamada não a afastar-se dos seus valores fundadores, mas a reafirmá-los com coragem, sabedoria e humanidade”, salientou o presidente da COMECE, em nota publicada, esta quarta-feira, 17 de junho, após a votação no Parlamento Europeu.

A Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia pronunciou-se sobre a aprovação no Parlamento Europeu do novo Regulamento relativo ao regresso de migrantes – 418 votos a favor, 218 contra e 30 abstenções -, que complementa o Pacto sobre Migração e Asilo.

D. Mariano Crociata, presidente da COMECE, afirma que este organismo “continua profundamente preocupado” com aspetos do novo quadro que podem “comprometer a proteção efetiva dos direitos fundamentais e da dignidade das pessoas vulneráveis”, e destaca, em particular, “o alargamento da detenção, as limitações aos recursos e recursos de apelação efetivos”, e a crescente externalização de responsabilidades para países terceiros que “levantam sérias questões éticas e humanitárias”.

“A migração não é apenas uma questão de procedimentos, estatísticas ou gestão das fronteiras. Diz respeito a seres humanos: mulheres, homens e crianças, cada um dos quais possui uma dignidade inviolável que deve permanecer no centro de todas as decisões políticas.”

A Comissão das Conferências Episcopais da União Europeia reconhece a “responsabilidade legítima” das autoridades públicas na gestão da migração, mas reitera o seu apelo para que “as políticas de migração e asilo continuem firmemente assentes no respeito pela dignidade humana”, pelos direitos fundamentais, pelo direito de pedir asilo, pela proteção da unidade familiar. e pela atenção especial aos mais vulneráveis.

O presidente da COMECE, bispo de Latina (Itália), afirma que “segurança e a solidariedade não são princípios opostos”, e lembra que a União Europeia foi fundada com base na convicção de que “a dignidade humana é inviolável”, que a solidariedade entre os povos não é um ideal opcional, mas “uma responsabilidade fundamental”.

Segundo D. Mariano Crociata, a Europa “não pode afirmar” que defende esses valores “enquanto se habitua que o Mediterrâneo e o Atlântico sirvam de cemitérios silenciosos”.

Foto: Vatican Media

Os bispos das Conferências Episcopais da União Europeia fazem eco do apelo do Papa Leão XIV à comunidade internacional, na viagem à Espanha, entre 6 e 12 de junho, onde visitou Madrid, Barcelona e centros para migrantes em duas ilhas do arquipélago das Canárias, na nota onde assinalam que os países de origem, de trânsito e de destino partilham “a responsabilidade de abordar as causas profundas que obrigam as pessoas a migrar, e de proteger aqueles que se encontram em movimento”.

Esta quarta-feira, dia 17 de junho, o Papa alertou para as fraturas causadas pelo atual sistema de progresso, exigindo a adoção de estratégias políticas articuladas para gerir a chegada de deslocados, na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Em Roma, a Comunidade de Santo Egídio promove a vigília ‘Morrer de Esperança’, esta quinta-feira, 18 de junho, no âmbito do Dia Mundial do Refugiado (20 de junho), às 18h30 locais (menos uma hora em Lisboa), em Trastevere, na Basílica de Santa Maria e na praça, numa organização conjunta com várias associações.

CB

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