Vaticano: Dicastério para a Comunicação vai digitalizar documentação para «preservar a memória» assumindo «transições de época»

«Os arquivos conservam a memória de uma empresa, de uma organização, de uma estrutura, não é apenas uma memória que diz respeito ao conteúdo» – coordenador do Arquivo Editorial Multimédia do Dicastério para a Comunicação

Foto: Agência ECCLESIA/CB

Cidade do Vaticano, 17 jun 2026 (Ecclesia) – O Dicastério para a Comunicação da Santa Sé está a transformar documentação histórica em digital, com a empresa PFU (EMEA) Limited do grupo RICOH, e acolheu uma sessão de apresentação, no Palácio Leão XIII, nos jardins do Vaticano.

“Os arquivos conservam a memória de uma empresa, de uma organização, de uma estrutura, não é apenas uma memória que diz respeito ao conteúdo, aos textos. Preserva a memória de uma época, de um grupo de trabalho. Neste sentido, é importante o contexto em que uma determinada atividade acontece”, disse o coordenador do Arquivo Editorial Multimédia do Dicastério para a Comunicação aos jornalistas de vários países europeus, esta terça-feira, 16 de junho.

No edifício histórico sede da Rádio Vaticano desde 1936, criado para acolher o Observatório Astronómico do Vaticano (Specola Vaticana), Pietro Cocco destacou que ali se recorda que Guglielmo  Marconi, considerado o inventor oficial da rádio em 1931, começou a “realizar experiências com ondas ultracurtas, que mais tarde envolveriam o desenvolvimento de transmissões em FM, transmissões televisivas”.

“Preservar a memória também significa lidar com transformações, transições de época, que também têm consequências nos materiais usados ​​para comunicar. Nós, como Arquivo Editorial Multimédia, começámos a construir um arquivo com o arquivo da Rádio Vaticana, com material áudio e em papel; com o arquivo do L’Osservatore Romano, que iniciou em 1861, digitalizámos todas as edições a partir dessa data; e com material do Centro Televisivo do Vaticano, que iniciou as suas atividades audiovisuais em 1984, para acompanhar as atividades de Santo Padre”, desenvolveu.

O coordenador do Arquivo Editorial Multimédia do Dicastério para a Comunicação salientou que “uma parte importante” dos materiais que herdaram “diz respeito às atividades de informação da Rádio Vaticano”, e estão a realizar esse “projeto com os scanners [documentais] da Fujitsu Rioch”.

Foto: PFU (EMEA)/RIOCH

“Temos volumes encadernados a partir de 1954 que reúnem os boletins que transcreviam as emissões do jornal, das 14h00, da Rádio Vaticano, uma crónica diária dos principais acontecimentos internacionais da vida da Igreja, incluindo discursos proferidos pelos Papas, compilados nestes boletins. Cerca de 400 volumes, dezenas de milhares de milhões de páginas, obviamente, que decidimos digitalizar”, acrescentou.

Pietro Cocco refletiu sobre a preservação do conhecimento na era digital, ‘uma visão sobre como o Vaticano está a proteger séculos de conhecimento através da aquisição [captura] de documentos, da gestão de arquivos e da preservação digital’, a jornalistas de Portugal, Espanha, França, Alemanha, Reino Unido e Itália, dirigentes e responsáveis de várias áreas da PFU e parceiros.

O Dicastério para a Comunicação está a converter documentação “numa infraestrutura digital segura, estruturada e acessível”, um projeto que “reforça” a proteção deste património”, reduz risco de desinformação, e agiliza a verificação de conteúdos; segundo a PFU (EMEA – Europa, Médio Oriente e África), a divisão de scanners da Rioch, a infraestrutura está preparada para “responder aos desafios da preservação, da consulta e da gestão da informação”, e deve evoluir, numa segunda fase, “com a integração de soluções de Inteligência Artificial”.

O responsável regional de vendas da PFU em Itália, Massimiliano Grippaldi, explicou que têm “uma relação muito bem estabelecida” com o organismo da Cúria Romana responsável pela comunicação”, e destacou a oportunidade de desenvolverem um “ambicioso e desafiante projeto de digitalização”.

“Ao planear esta atividade de digitalização dos volumes não estávamos apenas a falar de digitalizar as folhas/documentos de papel, mas da importância de poder fornecer a quem consultasse esses textos posteriormente informações sobre o conteúdo, o tipo de papel utilizado, as anotações feitas pelo narrador, as correções pelos jornalistas, que também se relacionam com o processo de preparação da informação, da notícia”, acrescentou o coordenador do Arquivo Editorial Multimédia do organismo da Santa Sé.

Segundo o orador, para o dicastério era “muito importante ter uma ferramenta fiável” que também transmitisse “o contacto com o tipo de papel”, desde a década de 1950 até hoje, passaram “sucessivas eras de impressão” e técnicas de escrita em papel.

Foto: PFU (EMEA)/RIOCH

“Graças aos scanners que o Ricoh nos disponibilizou, conseguimos realizar esta operação e, sobretudo, fazê-la de forma eficaz e eficiente. Desde que o scanner captura a imagem, com o software perfeitamente integrado no nosso CMS, no sistema de gestão documental, importamos diretamente para o nosso espaço de ativação, inserimos os metadados relativos aos documentos, e ensinamos aos nossos clientes as chaves interpretáveis ​​para poderem aceder a esses conteúdos”, acrescentou Pietro Cocco.

O coordenador do Arquivo Editorial Multimédia do Dicastério para a Comunicação, para concluir, destacou ainda a “sensibilidade” dos scanners quando tiveram “a certo momento de digitalizar os textos de transmissão da sessão ucraniana” do período da Segunda Guerra Mundial, que também estavam escritas na frente e no verso, e precisavam “de conseguir digitalizar um lado de cada vez, e isto foi possível sem deixar a marca que estava no verso”.

Segundo Massimiliano Grippaldi, da PFU Itália, conseguiram digitalizar “milhões de documentos em papel dos arquivos e salas de arte”, e transformaram todos esses papéis em formato digital, “captando o conteúdo de todos que estará disponível em breve para todos”.

O encontro incluiu uma visita guiada ao Museu da Rádio Vaticano, que guarda, por exemplo, o microfone original utilizado pelo Papa Pio XI e por Guglielmo Marconi na primeira transmissão da Rádio Vaticano, em 1931, e pelos jardins do Vaticano.

O Dicastério para a Comunicação foi instituído pelo Papa Francisco, a 27 de junho de 2015, no âmbito da reforma da Cúria Romana, supervisiona os sistemas de comunicação da Santa Sé – como portal online Vatican News, a Rádio Vaticano, o jornal L’Osservatore Romano, o Vatican Media (serviços fotográficos, de áudio e vídeo), a Sala de Imprensa da Santa Sé, a Livraria Editora Vaticana, a Tipografia Vaticana e a Filmoteca Vaticana.

CB

Foto: PFU (EMEA)/RIOCH

O diretor geral de Vendas da PFU (EMEA) Limited refletiu sobre ‘A evolução do paperstream: da recolha/captura de imagens à confiança inteligente’, e explicou que “as informações fidedignas começam com uma recolha fidedigna, e a recolha fiável começa pela segurança”.

“Hoje, a inteligência artificial está a ser cada vez mais utilizada para melhorar a informação recolhida, mas não elimina a necessidade de informação fidedigna. Na verdade, torna a informação fidedigna ainda mais importante, porque a inteligência artificial só pode melhorar aquilo que recebe, se a informação for incompleta, imprecisa ou de baixa qualidade, a inteligência artificial irá simplesmente amplificar estes problemas”, desenvolveu Brian Fortune.

Segundo este responsável, é por isso que a recolha/captura “continua a ser tão importante”, e esses são desafios que “o PaperStream foi concebido para enfrentar”, porque antes que a inteligência artificial possa acrescentar valor, a informação precisa “de ser fidedigna, precisa e segura”, e “deve estar sujeito a uma supervisão humana adequada”.

“À medida que a inteligência artificial se torna amplamente adotada, as organizações enfrentam um novo desafio: Como garantir que as suas decisões são transparentes, responsáveis ​​e fiáveis? Este é um dos temas principais por detrás da Lei da Inteligência Artificial da União Europeia, reconhece que a inteligência artificial pode gerar um enorme valor, mas também reconhece a importância da supervisão humana”, acrescentou Brian Fortune, observando que a IA deve auxiliar “o julgamento humano e não substituí-lo”, e é por isso que o PaperStream “inclui controlos como limites de confiança”.

Neste encontro também foram apesentados dois novos scanners Ricoh – SP-2240N e SP-2230N, pelo gestor de Envolvimento com o Cliente, Steve Chad, que destacou o seu desempenho, a precisão de OCR e operação flexível com ou sem estarem ligados a um computador, entre outras características e demonstração, porque o “primeiro passo em qualquer fluxo de trabalho digital é captar informação com precisão”.

Já Christophe Laurence, diretor de Desenvolvimento de Negócios, explicou como as parcerias, integrações e o programa de parceiros de soluções paperstream ajudam “as organizações a desbloquear um maior valor da sua informação e a criar novas oportunidades”, antes do encerramento da sessão pelo presidente e Ceo da PFU (EMEA) Limited, Yasunari Shimizu.

Em maio, a PFU [empresa fundada em 1960] informou que quer fortalecer a sua presença em Portugal, e consolidar Lisboa como um centro europeu, através de um plano de investimento superior a 3,3 milhões de euros até 2031, através de Jesus Cabañas, o gestor regional para a Península Ibérica.

Igreja: Vaticano digitaliza documentação histórica e prepara arquivo inteligente

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