EMRC: um desafio à educação integral

D. António Luciano, Bispo de Viseu

Foto: Diocese de Viseu

A Semana Nacional da Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), que decorre até ao próximo dia 23 de maio, sob o lema “EMRC: pontes e palavras de Encontro”, constitui uma oportunidade privilegiada para refletirmos sobre uma das grandes urgências do nosso tempo: a educação integral da pessoa humana, que se constitui um desafio e uma resposta pastoral.

Vivemos numa sociedade marcada pela rapidez, pela liquidez, pela fragmentação, pelo individualismo, pelo imediato e pela dificuldade em escutar o outro. Por isso, torna-se cada vez mais urgente educar, não só para o presente, mas essencialmente para o futuro e para um amanhã promissor. Que futuro queremos nós? Que gerações desejamos formar? Adolescentes e jovens preparados apenas para competir, marcar a diferença ou pessoas humanas capazes de construir relações, servir a comunidade e cuidar do próximo, construindo pontes?

A escola é uma dessas pontes. É um lugar fundamental ao lado da família e da Igreja para o crescimento humano, intelectual e espiritual. Não podendo limitar-se apenas à transmissão de conhecimentos técnicos ou científicos. Educar é muito mais do que informar e transmitir conhecimentos. Educar é ajudar cada criança, adolescente e jovem a descobrir o sentido para a sua vida humana e cristã, a desenvolver a sua consciência cívica e crítica, a cultivar valores e a aprender a viver em relações sadias. Educar é formar o coração, a consciência e a interioridade para o sentido de responsabilidade e da liberdade. Nesse âmbito, a disciplina de EMRC desempenha uma missão profundamente atual e fundamental na construção da personalidade. Através da escuta, do diálogo, da proximidade, da reflexão ética e da abertura ajuda os alunos a construírem pontes entre culturas, gerações, entre modos diferentes de pensar e de viver.

Num mundo em que tantas palavras dividem e tantos cenários da globalização nos inquietam e interrogam, a EMRC propõe um projeto com palavras de encontro, de conhecimento, de fé, de respeito e de esperança em Deus e na humanidade. Valores que temos de passar às próximas gerações, preocupando-nos com a transmissão da fé e de uma cultura humanista, que nos leve a mundo mais justo, fraterno, solidário e humano. Aprendamos todos a cuidar da dignidade da pessoa humana, especialmente fazendo chegar aos mais novos o sentido do serviço e do voluntariado junto dos mais frágeis, dos esquecidos e dos que vivem sem esperança nas periferias do mundo.

A disciplina de EMRC nas escolas portuguesas continua a ser um desafio na sua participação e convite às novas gerações. Por isso, deve ser um instrumento de humanização da educação para os valores cívicos e religiosos. Esta recorda-nos que a dimensão espiritual faz parte da identidade total da pessoa humana, favorecendo o diálogo entre fé e cultura, enriquecendo a vida ao longo do percurso educativo.

Quero deixar uma palavra de gratidão aos professores, que diariamente acompanham as crianças, os adolescentes e os jovens com dedicação e esperança, colaborando com as famílias na sua missão educadora. Parabéns a todos os envolvidos nas aulas de EMRC.

António Luciano, Bispo de Viseu

(Os artigos de opinião publicados na secção ‘Opinião’ e ‘Rubricas’ do portal da Agência Ecclesia são da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)

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