A comunidade católica do Iraque vai viver, entre hoje e amanhã, dois dias de oração e jejum pela paz no país. Esta iniciativa foi ontem destacada pelo Papa no final do Angelus, tendo convidado “os crentes, os fiéis e todos os homens de boa vontade” a unirem-se a esta iniciativa. “No Iraque, o Patriarca dos Caldeus e os Bispos apelaram aos fiéis, aos crentes e a todos os homens de boa vontade para se unirem na oração e no jejum nos dias 3 e 4 de Abril pela a paz e a concórdia no Iraque”, referiu Bento XVI. “É um apelo importante e cabe-me a mim convidá-los a aderir pela paz neste país mártir”, prosseguiu. O Patriarca caldeu de Bagdad, Emmanuel III Delly, propôs esta iniciativa por considerar que no Iraque “afastamo-nos de Deus com as nossas atitudes e afastamo-nos da piedade e da virtude, do perdão, e por isso se derramou o sangue de tantos irmãos e tantas crianças ficaram órfãs”. Por este motivo, segundo o representante cristão, “temos de voltar à casa de Deus para fazer a vontade de Deus soberano, arrependidos, e para alcançar este sublime objectivo convidamos à oração e ao jejum”. O convite é dirigido a todos os iraquianos, dentro e fora do Iraque, e todos os crentes e os homens de boa vontade, “para que o Senhor restitua a paz, a tranquilidade e a segurança no Iraque, país do amado Abraão”. Os cristãos no Iraque são uma minoria, cerca de 3% dos 26 milhões de habitantes, mas representam uma das comunidades mais antigas e respeitadas do Cristianismo. A importância histórica e sentimental destas comunidades que ainda hoje celebram em aramaico, a língua de Jesus, nunca foi menosprezada. A Igreja Patriarcal Católica Caldeia está no mesmo local onde, segundo a Bíblia, nasceu Abraão. É uma Igreja autónoma, em comunhão com Roma, possuidora de ritos litúrgicos próprios: tem cerca de um milhão de fiéis em todo o mundo e perto de metade desses fiéis encontra-se no Iraque, onde está a sede do Patriarcado dos caldeus.
