Arcebispo primaz publicou nota pastoral, com «pertinências pastorais», onde incentiva à santidade, ao diálogo, ao anúncio da palavra de Deus, à paz

Agência ECCLESIA/LFS

Guimarães, 27 fev 2020 (Ecclesia) – O arcebispo de Braga presidiu hoje à celebração da elevação do Santuário de São Torcato a Basílica, num “dia de festa” que representa “uma responsabilidade” para evangelização.

“Para mim hoje é um dia importante, em São Torcato com certeza faz-se a opção e a escolha por permanentemente evangelizar, por permanentemente celebrar em ambiente também festivo a fé, mas ao mesmo tempo é um sinal para toda a arquidiocese reconheça que a sua missão como sempre é evangelizar”, disse D. Jorge Ortiga em declarações à Agência ECCLESIA.

O Santuário de São Torcato, a 7 quilómetros de Guimarães, na Arquidiocese de Braga, foi hoje elevado a “basílica menor”, concretizando uma decisão tomada pelo Papa Francisco a 30 de setembro de 2019.

O arcebispo de Braga explicou que “a dignidade” que o Papa concede a algumas igrejas “é uma honra mas também uma responsabilidade”, porque se “devem tornar exemplo”.

“Só a evangelização poderá satisfazer aqueles e aquelas que fazem parte da Igreja. É uma honra, é um dia de festa mas mais do que isto é uma responsabilidade”, sublinhou.

No âmbito da elevação de São Torcato a basílica, D. Jorge Ortiga publicou a nota pastoral ‘Nos passos de São Torcato’, com ‘pertinências pastorais’, para que fosse “um momento para a evangelização” e sintetizou “a vida de São Torcato em alguns aspetos”, nomeadamente a dimensão “crente, alguém que acreditou seriamente”.

“Particularmente aqui no Minho, os nossos cristãos vão ao santuário para agradecer e para pedir, um encontro com Cristo que depois justifica tudo o resto, e São Torcato dá-nos testemunho”, desenvolveu.

“A prioridade à Palavra de Deus” foi outro aspeto que D. Jorge Ortiga destacou no novo documento, um anúncio “feito na sua autenticidade e verdade” adaptando a uma linguagem da atualidade e, numa arquidiocese “marcada pela religiosidade popular”, incentivou as comissões de festas a “colocar a tónica na evangelização”.

O arcebispo primaz faz também o “desafio” que a “vocação à santidade fosse para todos”, explicando que São Torcato se destacou, sobretudo, “pela sua vida de coerência e autenticidade”; hoje, indicou, é necessária “uma santidade vestida de uma roupa habitual”, a que se usa “à mesa de um gabinete, numa fábrica, na agricultura”.

“Eu penso que os santos são sempre contemporâneos. Este terá vivido no século VIII, temos algumas incertezas históricas, mas mais ou menos desde essa altura o culto a São Torcato aqui está presente”, acrescentou.

A celebração de hoje terminou com uma “oração à natureza” e a bênção do gado.

“Nós pedimos a Deus para que seja bom conviver neste ambiente de natureza, onde há um respeito muito grande, por ventura sem tantos exageros, com os animais que são nossos colaboradores”, concluiu D. Jorge Ortiga.

As obras no santuário de São Torcato começaram em 1871, a fachada da igreja é constituída por duas torres e um corpo central, onde está o corpo do santo que se conserva incorrupto, e o edifício foi construído com granito da região.

Na Igreja Católica há “basílicas maiores” e “basílicas menores”; a palavra basílica, com origem nos termos gregos ‘basileus’ (rei) e ‘basilikos’ (real), era utilizada na Roma antiga para designar grandes edifícios de reunião.

LFS/CB/OC

São Torcato: Elevação a basílica é momento para consolidar «as razões mais profundas da vida, da fé» (c/fotos)

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