Padre Valentim Gonçalves destaca «bom exemplo» de vida do bispo Torcato

Agência ECCLESIA/LFS

Guimarães, 27 fev 2020 (Ecclesia) – O pároco de São Torcato, na Arquidiocese de Braga, disse que a elevação do santuário a “basílica menor”, que estão a celebrar hoje, seja um momento para “ir consolidando as razões mais profundas da vida, da fé”.

“Consolidando-as na medida em que nos aproximamos daquele que é pedra fundamental, que é o Senhor Jesus e olhando para o bom exemplo que foi dado pelo bispo Torcato que entregou a sua vida por essa pessoa que está no centro da nossa fé”, afirmou o padre Valentim Gonçalves, em declarações à Agência ECCLESIA.

O Papa Francisco elevou o Santuário de São Torcato a Basílica Menor, a 30 de setembro de 2019, e a cerimónia oficial realizou-se esta manhã, numa celebração que coincidiu com o Dia de São Torcato.

O padre Valentim Gonçalves assinala que há “muitos séculos existe a devoção” a São Torcato, numa “atitude popular” e “não como proclamação prévia de alguém que é santo”.

A partir de hoje, passa existir “uma celebração litúrgica” que “oficialmente não era possível, a nível da Igreja local e fica incluído no santoral” da Arquidiocese de Braga.

“O significado formal tem esse sinal da aprovação oficial desta devoção. Tem relevância para a contextualização da vivência da fé”, acrescenta o religioso verbita.

As obras no santuário de São Torcato, a 7 quilómetros de Guimarães, começaram em 1871; o edifício foi construído com granito da região: a fachada é constituída por duas torres; no interior da igreja está o corpo incorrupto do bispo mártir, e as esculturas, segundo o pároco são catequeses que “não são feitas só através das palavras, dos escritos”.

“As catequeses são feitas através das imagens, aliás, essas catequeses foram feitas ao longo dos séculos perante um povo que não sabia ler, nem escrever, e para as conduzir ao conhecimento daquelas realidades importantes utilizavam-se as imagens, as pinturas, as decorações”, desenvolveu o padre Valentim Gonçalves.

Em termos religiosos é um povo muito ligado ao seu santo, ao santinho como dizem exatamente para manifestar o que é a veneração dos santos, que é sempre uma proximidade afetuosa de alguém que é importante e nos motiva”.

O presidente da Junta de Freguesia de São Torcato destaca, por sua vez, que o santo, para além de “dar o nome a esta terra”, é o “guia e inspiração de um povo”.

“O santuário já era a nossa bandeira, temos como símbolo maior da vila as suas torres, com elevação a basílica estamos à espera que verta um acréscimo de turismo e de desenvolvimento da vila enquanto terra, enquanto comunidade”, referiu Alberto Martins à Agência ECCLESIA.

Em São Torcato existe uma Irmandade, uma Associação pública de fiéis da Igreja Católica, que nasceu como ‘Confraria de Devotos de São Torcato’, com o lema ‘servir a São Torcato’, em 1693.

Paulo Novais, o juiz da irmandade, afirma que a elevação a ‘basílica menor’ “é um sonho tornado realidade” e “é a maior ambição” da instituição nos últimos séculos e “é difícil expressar por palavras o que representa para a irmandade e todos os irmãos e devotos do santo”.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o juiz da Irmandade de São Torcato salienta que vão inaugurar dois equipamentos com uma “simbólica muito importantes”, uma via-sacra que “une” o antigo mosteiro e a atual basílica, “as duas casas onde São Torcato morou e caminho que fez aquando a transladação”.

Paulo Novais destaca que a segunda novidade vai permitir que a basílica seja um “templo inclusivo” com a inauguração de um elevador que liga os parques de estacionamento ao “adro da basílica” para “todas as pessoas com mobilidade reduzida ou diminuída”, que depois já tem “entradas com rampas”, para mostrar “a modernidade que o culto e devoção têm, para além da enorme devoção cristã”.

Sobre o projeto do santuário, o arquiteto Vítor Fernandes recorda que foi aberto um “concurso público internacional”, em 1867, e “venceu um arquiteto prussiano” que “foi buscar revivalismos românico-góticos, ao gosto do ecletismo do século XIX”.

“É uma obra complexa, ornamentada numa pedra azul dura e que não aproveitou muito as novas tecnologias na sua execução, dai ter demorado cerca de 130 anos a ser construído. Resultou uma peça escultórica imponente, que se impõe no Vale de São Torcato e que demostra uma grandiosidade como era digno o próprio santo”, desenvolveu.

À Agência ECCLESIA, Vítor Fernandes explica que o templo de planta cristã, “com planta em cruz latina”, foi limitado pelos alicerces de um templo anterior e que o projeto “impunha o aproveitamento”, bem como a escadaria “própria do Barroco dos princípios do século XIX”, que “dá alguma imponência para o ritual de acesso”.

Na Igreja Católica há “basílicas maiores” e “basílicas menores”; a palavra basílica, com origem nos termos gregos ‘basileus’ (rei) e ‘basilikos’ (real), era utilizada na Roma antiga para designar grandes edifícios de reunião.

LFS/CB/OC

 

A Irmandade de São Torcato tem três “dimensões diferentes”: A religiosa, “materializada na devoção ao santo do povo”; A dimensão patrimonial, onde em “quase dois quilómetros de extensão” existe o parque botânico, com um lago artificial, parque de diversões para crianças, zonas de recreio e merendas, serviços administrativos, um museu; A dimensão social, com um centro social, com lar, centro de dia e apoio domiciliário, e dimensão cultural, por exemplo, na ‘Feira dos 27’ (de fevereiro) há bênção do gado, a 15 de maio realizam a romaria das águas na fonte do santo, e a ‘Romaria Grande’ é no primeiro domingo de julho, este ano dia 5.

 

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