Carlos Borges, Agência Ecclesia

Certamente, já se cruzou com alguém na rua com um cartaz ‘Free Hugs’ / ‘Abraços Grátis’, ou numa festa, festival, ou manifestação. Uma pesquisa num motor de busca na internet informa que a ‘Free Hugs Campaign’ é um movimento social onde as pessoas oferecem abraços grátis a estranhos – coração a coração -, em locais públicos. Uma iniciativa que começou com um homem, Juan Mann, na Austrália, em 2004. Hoje, é mundial.
Quem é que conhece que precisa ou merece um abraço grátis, apenas “porque sim”, porque está alguém a oferecer? Um abraço como sinal de humanidade, de conforto, aconchego, de solidariedade. Neste ‘dia do Papa’, da solenidade de São Pedro e São Paulo, penso em Leão XIV, que no Vaticano deve ter dado e recebido alguns, certamente, a maioria, institucionais.
O Papa que, nos últimos dias, presidiu a um consistório extraordinário e, durante a sessão inaugural, na sexta-feira, disse ao Colégio Cardinalício: “Conto com vocês para que me ajudem a discernir o que o Espírito diz hoje à Igreja. Preciso do apoio de vocês: forte, explícito e público. Preciso sentir-me apoiado por vocês como irmãos”. Um abraço para Leão XIV.
Nas Festas Multiculturais do Vale da Amoreira, em honra de São João Batista, que terminaram ontem, recebi um abraço grátis, sem cartaz, sem aviso, nem anúncio, nem informação que ia chegar. Tinha acabado de sentar-me, num dos muros do anfiteatro do Centro de Experimentação Artística (CEA), quando uma criança, pelo tamanho andará na escola primária, parou a brincadeira, olhou para mim, e veio de braços abertos. Recebi um abraço grátis, e ele lá voltou para as correrias com os outros meninos. Respondi com um abraço, claro, e, “em troca”, ainda recebeu um dinossauro que tinha acabado de sair nas rifas da paróquia (Baixa da Banheira), para ajudar a construir a futura igreja do Vale da Amoreira. Um abraço para este menino, e boas férias!!
Quem é que conhece que precisa de um abraço? De surpresa, sem cartaz.
Quem precisa de um abraço é a Venezuela e o seu povo, país onde reside uma grande comunidade de portugueses e lusodescendentes. Onde existe o sentir e a saudade de Portugal. Quem precisa de um abraço é a Venezuela e quem um dia teve de deixar Portugal para ir à procura de melhores condições de vida, de oportunidades que este país não dava, e foram atrás de um ‘sonho americano’, tiveram de atravessar o Oceano Atlântico para o encontrar de alguma forma na parte latina, no sul desse continente.
Quem merece um abraço são as muitas instituições, fundações e ONGD’s, dioceses, grupos, movimentos e pessoas que estão a dinamizar campanhas de solidariedade, para que não desistam. O Papa Leão XIV, por exemplo. E também merece quem está no terreno, locais, vizinhos, continentais, quem viajou de longe, e não desistem de encontrar milagres nos escombros. Sem interesses no petróleo venezuelano.
São camadas de cimento e ferro torcido que nos chegam pelos meios de comunicação social, notas de imprensa, aos relatos dos padres, por exemplo. Mas, sem perder a esperança, estão envolvidos no resgate, na ajuda de emergência, na recuperação, a preparar o futuro, apenas porque são pessoas a ajudar outras pessoas.
Os animais também precisam e merecem abraços. São cerca de 140 unidades caninas. E quem precisa de um abraço é o ‘Tsunami’ que percorre, mesmo com perigo e, às vezes, ferido, as camadas e camadas de destruição na Venezuela, qual amargo ‘mil-folhas’. Tem um nome que mete medo, mas, este border collie, com nove anos, já encontrou e ajudou a salvar 13 pessoas no país sul-americano. Um verdadeiro ‘Tsunami’ de esperança onde os milagres, quando menos se espera, acontecem com várias pessoas resgatadas – homens e mulheres, adultos, jovens, crianças e bebés –, desde a terça-feira. Um abraço para as equipas cinotécnicas.
Por último, um abraço para quem deixa tudo para último dia, como entregar o IRS, que termina amanhã, 30 de junho, e ainda vai consignar 1% do seu IRS para apoiar uma instituição à sua escolha. E são tantas, das mais variadas atividades, que fazem o bem. Sem custos adicionais para si, é parte do imposto que já tem o Estado português como destino. Dê este abraço, ou outro, outros, vários, com e sem motivo.
Free Hugs, abraços grátis: Precisam-se, dão-se, estejam atentos, às vezes, chegam sem cartazes, nem notificações. E também os pode dar, o dia mundial já passou, mas ainda há tanto calendário, e braços… Um abraço para si!!
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