Padre Carlos de Abreu tem «mantido contacto com várias pessoas» e partilhado as «tristezas» das populações atingidas

Caracas, 29 jun 2026 (Ecclesia) – A Missão Católica Portuguesa da Venezuela, em Caracas, está a participar nas operações após os sismos, e implementou “algumas iniciativas de apoio”, como “rotas para salvar vidas e de resgate”, entrega de bens, e ativou canais de comunicação.
“Tenho mantido contacto com várias pessoas da comunidade, incluindo elementos do consulado e os nossos fiéis. Infelizmente, muitos enfrentaram perdas familiares e outros viram os seus investimentos desaparecer”, disse hoje o responsável da Missão Católica à Agência ECCLESIA.
O padre Carlos de Abreu, que foi nomeado a 15 de outubro de 2021 e é o primeiro luso-venezuelano a assumir estas funções, explicou que tem partilhado as “tristezas” com as pessoas, o seu “papel, acima de tudo, é escutar e orar, embora sinta que é muito pouco face ao que seria necessário”.
Dois grandes sismos foram registados na Venezuela a 24 de junho e causaram pelo menos 1450 mortos e mais de 3 mil feridos; segundo a ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo; dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na capital Caracas, e na região de La Guaira, uma das mais afetadas.
Nas horas seguintes aos sismos, a Arquidiocese de Caracas disponibilizou “centros de acolhimento”, e a Missão Católica Portuguesa deu “início às rotas para salvar vidas e de resgate”, ideia do padre Carlos de Abreu, sacerdote filho de madeirenses da freguesia do Campanário, na Madeira, que também é capelão do Centro Português na capital venezuelana.
“O que estamos a fazer neste momento é levar bens essenciais, água, roupa a todos os estabelecimentos e acampamentos improvisados das pessoas afetadas aqui em Caracas, já que para o acesso ao Estado de Vargas é solicitado uma espécie de cartão. Alegam que não há sistema, outros que a fila é muito longa, e nós, como voluntários já não podemos ir; se tivessem agido nas primeiras 24 horas, as coisas teriam tido outro tipo de resultados”, testemunhou um dos voluntários da Missão Católica Portuguesa.
Vamos continuar a apoiar, porque este é um trabalho diário e é constante. Não são apenas as primeiras 96 horas; é um trabalho que continua por dias, semanas, meses, até estabilizar este momento difícil que a nossa nação atravessa.”
O voluntário da Missão Católica Portuguesa da Venezuela explicou que esta “rota para salvar vidas e de resgate”, na primeira experiência, chegou “a Tanaguarena, um setor bastante afetado e com muito pouca capacidade de ajuda”, naquela altura, “nem uma única máquina estava no local”.
“Nesse resgate, o que conseguimos foi encontrar duas pessoas sem vida, foi feita a extração, e foram colocadas numa zona sem ser possível identificá-las, porque não havia os meios para o fazer, a identificação das residências, pelo menos, e do piso onde se encontravam. A devastação é impressionante, onde os edifícios estão colapsados o cheiro é extremamente forte”, desenvolveu à Agência ECCLESIA.
Neste sentido, lamentou ainda a “desorganização por parte do Estado” dos mantimentos, à roupa, até à acomodação das pessoas, “instaladas em praças, em locais abertos, mas à deriva”.
A Missão Católica Portuguesa na Venezuela na sua conta na rede social Instagram divulgou também um canal de apoio no Whatsapp, para “canalizar ajuda e conectar voluntários com os que mais precisam neste momento”, através do número +58 4123620487.

“Ajude-nos a coordenar, partilhando localizações exatas e necessidades específicas”, é o apelo da Missão Católica Portuguesa criada em 1955, e que tem a sua sede na Ermida de Nossa Senhora de Coromoto (padroeira da Venezuela) e Fátima, desde 1999, em San Bernardino, no centro de Caracas.
A Igreja Católica em Portugal, através da Cáritas, várias dioceses, a Fundação AIS, está a angariar donativos de emergência e dinamizar campanhas solidárias para apoiar a população e a Igreja na Venezuela.
Portugal enviou uma Força Conjunta Nacional de 64 operacionais – ANEPC, da GNR, do INEM e dos Bombeiros Sapadores de Lisboa – e de cerca de 23 toneladas de ajuda humanitária, destinada às populações afetadas pelos sismos, que já se encontra no país sul-americano.
CB/OC
