Cardeal Pietro Parolin e Sergei Lavrov debateram guerra na Ucrânia

Foto: Vatican Media

 

Lisboa, 23 set 2022 (Ecclesia) – O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, reuniu-se esta quinta-feira com o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, à margem da Assembleia Geral da ONU, que decorre em Nova Iorque, EUA.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia emitiu um comunicado, após o encontro, criticando a “cruzada da NATO para destruir a Rússia e dividir o mundo” e abordou os anunciados referendos nas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk.

As duas partes sublinharam a importância do diálogo entre a Rússia e o Vaticano, abordando “uma série de questões prioritárias de cooperação bilateral e internacional”.

O portal de notícias do Vaticano dá conta do encontro, sem abordar os seus conteúdos, colocando-o em linha com as recentes intervenções do Papa.

Falando na décima reunião dos Amigos do CTBT, grupo criado em 2002 pela Austrália, Canadá, Finlândia, Alemanha, Japão e Holanda, o secretário de Estado do Vaticano reafirmou que “com o aumento das tensões globais e a retórica que ameaça o uso de armas nucleares, é extremamente importante colocar em vigor o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBT)”.

A 15 de setembro, na viagem de regresso a Roma após a viagem ao Cazaquistão, Francisco defendeu necessidade de manter o diálogo com a Rússia para tentar travar a agressão deste país à Ucrânia.

“Acho que é sempre difícil entender o diálogo com os Estados que iniciaram a guerra, e parece que o primeiro passo foi dado de lá, daquele lado. É difícil, mas não devemos descartar isso, temos de dar a oportunidade de diálogo a todos, a todos! Porque há sempre a possibilidade de que, no diálogo, se possam mudar as coisas, e também oferecer outro ponto de vista, outro ponto de consideração”, referiu aos jornalistas que o acompanhavam.

O Papa admitiu que as iniciativas neste sentido podem ser mal-entendidas, pela opinião pública, mas sublinhou que é necessário manter aberta a “única porta racional para a paz”.

“Não excluo o diálogo com qualquer potência, seja em guerra, seja o agressor… às vezes o diálogo tem de se fazer assim, mas deve fazer-se, cheira mal, mas tem de ser feito. Sempre um passo à frente, uma mão estendida, sempre”, acrescentou.

Questionado sobre a decisão de enviar armamento para a Ucrânia, o Papa sublinhou que esta é uma decisão política, “que pode ser moral, moralmente aceite, se for feita de acordo com as condições de moralidade, que são muitas”.

OC

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