Vaticano: Presidente da República destaca sintonia com o Papa na defesa da paz e renova convite para visita em 2027

António José Seguro fala em encontro entre «pessoas que não desistem da esperança»

Foto: Vatican Media

Roma, 24 set 2026 (Ecclesia) – O presidente da República destacou hoje a exigência de um cessar-fogo global, após uma audiência privada com o Papa, no Vaticano, onde renovou o convite para uma visita pontifícia a Portugal em 2027.

“Ambos defendemos o cessar imediato das guerras, o cessar dos conflitos e a resolução dos problemas por meios pacíficos”, revelou António José Seguro, sublinhando que, perante a racionalidade humana, os diferendos devem resolver-se “à mesa e não num campo de batalha”.

Falando aos  jornalistas na Embaixada de Portugal junto da Santa Sé, o chefe de Estado abordou o convite para que Leão XIV visite o território nacional, nos 500 anos da Nunciatura em Lisboa e nos 110 anos das Aparições de Fátima.

“Ainda não obtive uma resposta para esse convite, está a ser visto no calendário exigente que o Papa tem para o ano de 2027, mas é muito importante celebrarmos essas datas, que são um número redondo, em particular os 500 anos da Nunciatura em Portugal”, referiu o presidente português.

António José Seguro mostrou-se confiante numa resposta positiva do Papa.

“Tenho a minha convicção que vai ser uma resposta ao nível do convite que lhe fizermos”, indicou.

Para o chefe de Estado, uma viagem pontifícia seria “uma boa oportunidade para o mundo, a partir de Lisboa e a partir de Portugal, poder ouvir uma mensagem de paz, uma mensagem de diálogo que é relevantíssima nos tempos de incerteza que se vivem”.

“O Papa tem uma dimensão universal e Portugal é um país aberto ao mundo, que valoriza muito o diálogo”, insistiu.

O encontro desta manhã prolongou-se por cerca de 45 minutos, com o diálogo a fluir entre o inglês, o espanhol e o português.

O presidente da República confessou ter ficado impressionado com a “simplicidade” e a “maneira assertiva” com que Leão XIV olha para os problemas, classificando a conversa como “muito profunda” e “muito franca”.

Em cima da mesa, assinalou António José Seguro, estiveram temas como a dignidade humana, a proteção dos mais vulneráveis e os desafios da juventude e das gerações futuras.

A reflexão estendeu-se também ao impacto da inteligência artificial, tema tratado na primeira encíclica do Papa, ‘Magnifica Humanitas’, com o chefe de Estado a alertar que o conceito de esperança “não pode ser uma palavra destituída de significado”, exigindo que esta “corresponda à ação”.

Há pessoas que não desistem da esperança e é muito importante deixar esta mensagem: que todos aqueles que não desistem da esperança e acreditam num mundo em paz, num mundo melhor, possamos todos colaborar e contribuir para acabar com estas guerras e acabar com este sofrimento humano.”

A visita incluiu com um encontro com o secretário da Santa Sé para as Relações com os Estados, o arcebispo Paul Richard Gallagher e a inauguração da escultura “Encontro”, de Álvaro Siza Vieira, nos Jardins do Vaticano.

OC

Vaticano: Papa recebeu presidente da República Portuguesa (atualizada)

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