Vaticano: «Não serão as ações militares a criar espaços de liberdade ou tempos de paz» – Leão XIV

Papa recebeu os participantes no Sínodo da Igreja de Bagdad dos Caldeus e denunciou aqueles que «ontem empunhavam espadas e hoje lançam as bombas»

Foto Vatican Media

Cidade do Vaticano, 10 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV afirmou hoje, na audiência aos participantes no Sínodo da Igreja de Bagdad dos Caldeus, que a paz e a liberdade apenas se conseguem com a “paciente convivência e o diálogo entre os povos”.

“Não serão as ações militares a criar espaços de liberdade ou tempos de paz, mas apenas a promoção paciente da convivência e do diálogo entre os povos”, disse o Papa.

O Sínodo da Igreja de Bagdad dos Caldeus, uma Igreja Oriental em plena comunhão com a Santa Sé, está a decorrer em Roma, para eleger o novo patriarca, depois do cardeal Sako, com 77 anos, ter apresentado a renúncia ao Papa Leão XIV, que aceitou no dia 10 de março, afirmando que se quer dedicar “à oração, à escrita e ao serviço simples”, e apontando para a necessidade de um sucessor “que acredite na renovação, na abertura e no diálogo”.

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Dirigindo-se aos bispos da Igreja Católica Caldeia, o Papa sublinhou os “sinais de esperança” que oferecem a um mundo “marcado por violências absurdas e desumanas”, “pela ganância e pelo ódio”, que “se espalham com crueldade precisamente nas terras que viram nascer a salvação, nos lugares sagrados do Oriente cristão, profanados pela blasfémia da guerra”.

“Nenhum interesse pode valer a vida dos mais fracos, das crianças, das famílias; nenhuma causa pode justificar o sangue derramado dos inocentes. Vós, chamados a ser incansáveis artífices da paz em nome de Jesus, ajudai-nos a proclamar claramente que Deus não abençoa nenhum conflito; a gritar ao mundo que quem é discípulo de Cristo, príncipe da paz, nunca está daqueles que ontem empunhavam espadas e hoje lançam as bombas”, afirmou.

Leão XIV lembrou aos bispos da Igreja Católica Caldeia que devem “anunciar Cristo ressuscitado mesmo em contextos de morte, ser presença viva de fé e de caridade, manter acesa a esperança onde ela parece extinguir-se”.

Que os cristãos em todo o Médio Oriente sejam respeitados, não apenas nas palavras: que gozem de verdadeira liberdade religiosa e de plena cidadania, sem serem tratados como hóspedes ou cidadãos de segunda classe”.

O Papa Leão XIV afgradeceu aos vários patriarcas da Igreja Caldeia, nomeadamente ao cardeal Louis Raphaël Sako, afirmando que o sínodo em curso é um “momento da renovação espiritual”, deixando algumas exortações para o futuro da Igreja Caldeia.

“Recomendo-vos que sejam atentos e transparentes na administração dos bens, sóbrios, moderados e responsáveis no uso dos meios de comunicação social, prudentes nas declarações públicas, para que cada palavra e comportamento contribua para edificar — e não para ferir — a comunhão eclesial e o testemunho da Igreja”, afirmou.

Leão XIV apelou à “formação dos presbíteros”, ao necessário apoio com “proximidade, edificando com eles e para eles uma fraternidade concreta e tangível”, ajudando também as “pessoas consagradas a guardar os dons inefáveis da obediência e da castidade”.

“Acompanhem os fiéis leigos, prestando-lhes cuidados pastorais, para que se sintam encorajados, apesar de todas as provações, a permanecer firmes na fé recebida dos Padres e a permanecer nos seus territórios”, disse o Papa, lembrando que as regiões onde surgiu a luz da fé “não podem prescindir dos crentes em Jesus, dos cristãos, que estão no Médio Oriente como as estrelas no céu”.

O Papa referiu também que novo patriarca seja “um pai na fé e um sinal de comunhão com todos e entre todos”.

PR

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