Igreja: Papa rejeita lógicas da força nas comunidades católicas

«Jesus adverte contra a tentação de pensar em Deus como uma figura poderosa» – Leão XIV

Foto: Vatican Media

Castel Gandolfo, Itália, 19 jul 2026 (Ecclesia) – O Papa alertou hoje para as imagens de Deus que recorrem à lógica do domínio e da força, falando durante a recitação do ângelus em Castel Gandolfo.

“Jesus adverte contra a tentação de pensar em Deus como uma figura poderosa, que se impõe pela força, que ocupa o espaço para dominar, que chega de forma triunfante”, sublinhou Leão XIV, perante milhares de pessoas reunidas na Praça da Liberdade, na localidade italiana onde se encontra a passar férias.

O pontífice rejeitou ainda que se associe à Igreja uma imagem de triunfo que exija intervenções pautadas “pelo poder e pela força”.

“Às vezes, esperamos algo espetacular, desejamos um Deus que intervenha do alto, arrancando imediatamente o joio, que é o mal”, observou.

Deus prefere a pequenez, sinal do seu amor discreto. Ele deixa-nos livres para acolhê-lo ou rejeitá-lo, procura abrir caminho mesmo no meio do joio e age de forma oculta e invisível, como a menor de todas as sementes, fermentando a massa sem fazer barulho.”

A intervenção partiu das parábolas do trigo e do joio, do grão de mostarda e do fermento, com o Papa a insistir que Deus atua “de forma oculta e invisível”.

“O Reino de Deus difunde-se também no meio do joio e pede-nos um olhar capaz de reconhecer o bem que brota mesmo nas trevas do mal, sem que julguemos tudo apressadamente”, precisou.

Leão XIV pediu a “paciência” necessária para saber acompanhar os processos humanos sem precipitações e valorizar a “singeleza da vida comum”.

A intervenção evocou ainda um texto do ano 2000 do então cardeal Joseph Ratzinger (Bento XVI), que apresentava a Igreja como uma “pequena semente do Evangelho que brota e como um fermento de amor que transforma a massa do mundo”.

“Somos chamados a assumir um estilo evangélico, sem adotarmos precipitadamente uma postura de oposição marcada por julgamentos arrogantes”, pediu Leão XIV.

No final da oração, o Papa saudou os peregrinos presentes, durante vários minutos.

Leão XIV vai permanecer na residência pontifícia de Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, até 27 de julho.

A localidade nas margens do lago Albano é escolha dos Papas para o período estival desde Urbano VIII (1623-1644), num castelo que pertence à Santa Sé, com direito de extraterritorialidade estabelecido pelo Tratado de Latrão (1929).

OC

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