Papa denuncia «ladrões» que promovem guerras e saqueiam recursos

Cidade do Vaticano, 26 abr 2026 (Ecclesia) – O Papa evocou hoje os 40 anos do acidente na central nuclear de Chernobil, na antiga União Soviética, atual Ucrânia, e pediu que a energia atómica esteja ao serviço da paz.
“Hoje comemora-se o quadragésimo aniversário do trágico acidente de Chernobyl, que marcou a consciência da humanidade. Este continua a ser um aviso sobre os riscos inerentes ao uso de tecnologias cada vez mais poderosas”, disse Leão XIV, após a recitação da oração do ‘Regina Caeli’, desde a janela do apartamento pontifício.
Perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, o pontífice confiou à misericórdia de Deus “as vítimas e todos aqueles que ainda sofrem as suas consequências”.
“Desejo que, a todos os níveis de decisão, prevaleçam sempre o discernimento e a responsabilidade, para que qualquer utilização da energia atómica esteja ao serviço da vida e da paz”, acrescentou.

No início da reflexão dominical, Leão XIV alertou para as consequências das guerras e da exploração dos recursos naturais, que roubam à humanidade a “possibilidade de um futuro de paz”.
O Papa recorreu à imagem do “ladrão”, usada por Jesus nas parábolas apresentadas pelos Evangelhos, para deixar uma denúncia contra as dinâmicas de destruição no mundo contemporâneo.
“Não esqueçamos também aqueles ‘ladrões’ que, saqueando os recursos da terra, combatendo guerras sangrentas ou alimentando o mal nas suas diversas formas, não fazem mais do que roubar a todos a possibilidade de um futuro de paz e tranquilidade”, declarou o líder da Igreja Católica.
A intervenção centrou-se na passagem do Evangelho de São João, que apresenta Jesus como o Bom Pastor e a “porta do redil”, contrapondo-o ao mercenário e ao salteador.
“O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”, referiu o Papa.
Além da dimensão global da guerra e da exploração económica, Leão XIV convidou os católicos a “vigiar o redil” da sua própria vida contra ameaças mais subtis, alertando para atitudes que “sufocam a liberdade” e desrespeitam a dignidade alheia.
“Os ‘ladrões’ podem ter muitos rostos: são aqueles que, apesar das aparências, sufocam a liberdade ou não respeitam a nossa dignidade; são convicções e preconceitos que nos impedem de ter um olhar sereno sobre os outros e sobre a vida”, apontou.
O pontífice lamentou ainda as “ideias erradas” e os estilos de vida superficiais, fortemente “marcados pelo consumismo”, que conduzem a um esvaziamento interior.
A intervenção concluiu-se com uma “saudação especial” aos familiares e amigos dos novos padre da Diocese de Roma, que o Papa ordenou esta manhã na Basílica de São Pedro.
“Acompanhem sempre com a oração estes jovens ministros do Evangelho”, apelou.
OC
