Sudão: Papa exige corredores humanitários e apela a cessar-fogo «imediato»

Leão XIV evoca situação «trágica» na cidade de El-Obeid

Foto: UNDP

Cidade do Vaticano, 09 ago 2026 (Ecclesia) – O Papa exigiu hoje a abertura urgente de corredores humanitários no Sudão e exortou a um cessar-fogo para travar a tragédia na cidade de El-Obeid.

“Renovo o meu apelo às autoridades para que garantam corredores humanitários para a população civil”, declarou Leão XIV ao manifestar a sua proximidade espiritual com a nação africana, após a recitação do ângelus.

“Ao mesmo tempo, exorto a comunidade internacional a apoiar os esforços para alcançar um cessar-fogo imediato”, acrescentou.

A guerra deflagrada em abril de 2023 entre as forças armadas sudanesas e as milícias paramilitares causou a morte a cerca de 200 mil pessoas, avaliaram os peritos no terreno.

“Continuo a acompanhar com preocupação a trágica situação no Sudão, sobretudo na cidade de El-Obeid”, referiu o Papa, desde a janela ao apartamento pontifício, perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

A urgência de travar o derramamento de sangue levou o pontífice a pedir orações para que Deus “ampare os que sofrem, converta os corações dos que semeiam a violência e conceda a tão esperada paz”.

A localidade estratégica de El-Obeid sofreu um cerco ininterrupto entre abril de 2023 e fevereiro de 2025, encontrando-se isolada com a principal estrada de acesso a Cartum bloqueada aos civis, detalharam os relatórios operacionais.

Os ataques indiscriminados com recurso a drones já vitimaram mortalmente mais de mil pessoas na região do Kordofan desde o início do presente ano, contabilizou a ONU.

A fuga maciça para o interior da cidade provocou a duplicação do número de habitantes e deixou grande parte da população privada de acesso regular a qualquer alimentação, denunciou a mesma instituição internacional.

A escalada da tensão militar ameaça repetir as atrocidades cometidas durante o assalto das forças paramilitares à cidade de El-Fasher em outubro de 2025, um massacre que assumiu contornos de genocídio, alertaram investigadores das Nações Unidas.

O colapso da nação africana gerou, segundo a ONU, a pior crise humanitária do mundo, forçando a deslocação de 11 milhões de pessoas e deixando 33 milhões dependentes de assistência de emergência.

OC

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