Venezuela: «O nosso objetivo é simples: voltar a acender estes fogões», diz voluntário na igreja de Maiquetía, que procura reabrir portas de refeitório social

Tony Pereira é cozinheiro e apela por solidariedade para os mais necessitados, após sismos

Lisboa, 09 jul 2026 (Ecclesia) – Tony Pereira, cozinheiro e voluntário da igreja de Maiquetía, no estado de La Guaira, na Venezuela, procura voltar a abrir as portas refeitório social da paróquia para apoiar a população, após os sismos que atingiram o país terem causado o desabamento de parte do edifício.

“O nosso templo ficou profundamente afetado, como todos podem ver. No entanto, apesar do estado em que se encontra, a Casa Paroquial continua de portas abertas e dispõe de um refeitório social que queremos voltar a colocar ao serviço da comunidade”, afirmou o ‘chef’, em declarações citadas hoje pelo secretariado português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

Grande parte da parede frontal da igreja ruiu, deixando ver o interior, com rachas profundas e o chão, em volta, coberto de pedras, de pedaços de madeira, de ferros retorcidos, informa a organização.

“O nosso objetivo é simples: voltar a acender estes fogões, que durante mais de quinze anos alimentaram tantas pessoas em situação de vulnerabilidade. Hoje, mais do que nunca, sentimos que essa missão continua a ser indispensável”, expressou Tony Pereira.

Antes dos abalos, o refeitório social funcionava como apoio às pessoas mais vulneráveis da comunidade e por isso e, apesar das condições precárias do edifício, foi decidido que teria de voltar a funcionar.

Formado em várias academias, tendo chegado a trabalhar em restaurantes de renome quando a Venezuela era ainda um país com uma situação económica regular, Tony Pereira deixa um apelo sincero por ajuda.

“Ao Jesús, à senhora Amparo, ao senhor Leonardo e a todas as pessoas que, ao longo deste tempo, têm caminhado ao nosso lado e apoiado este projeto, pedimos que continuem a ajudar-nos. A vossa solidariedade faz toda a diferença e permitirá que possamos continuar a servir quem mais necessita”, assinalou.

A solidariedade vai chegado aos poucos, nomeadamente através de camiões com bens essenciais que chegam e são descarregados na paróquia, criando uma fila de pessoas que procuram por apoio.

“Neste momento estamos a organizar-nos para proceder à distribuição. Não temos muito, mas tudo o que recebemos será entregue, porque foi para isso que nos foi confiado: para ser distribuído pelo povo”, indicou o voluntário da igreja.

“Muitos de vós conhecem-nos e sabem o trabalho que realizamos”, acrescentou.

Foto: Lusa/EPA

Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram, no dia 24 de junho, a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.

De acordo com a Lusa, o último balanço oficial da tragédia indica que os abalos causaram pelo menos 3.811 mortos e 16.740 feridos, incluindo 102 portugueses e lusodescendentes, num número que se encontra frequentemente a ser atualizado.

“Ao longo destes dias aprendi a reconhecer Deus no rosto de quem sofre”, afirmou Tony Pereira.

A Fundação AIS já aprovou uma ajuda de emergência no valor de 100 mil euros e o secretariado nacional em Portugal também tem em curso uma campanha, “SOS Venezuela”, em que se procura aliviar o sofrimento do povo.

LJ/OC

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