Sínodo/Porto: Formação diocesana desafiou clero a adotar liderança colegial

Especialistas destacaram necessidade de colaboração a vários níveis da pastoral

Foto: Voz Portucalense

Porto, 04 mai 2026 (Ecclesia) – A Diocese do Porto promoveu uma formação sinodal para o clero, focada na urgência de renovar a pastoral através de um governo colegial e do diálogo ecuménico.

A iniciativa decorreu no dia 29 de abril e contou com intervenções do professor universitário João Paiva e do padre Tiago Freitas, da Arquidiocese de Braga.

O docente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto desenvolveu o tema dos desafios atuais para a evangelização, sublinhando a importância da vertente humana na adaptação aos novos tempos.

“Nesta tensão entre a mudança e o conservar, é capaz de ser melhor eleger, como cristãos, a relação em vez da identidade e, por isso, tratar mesmo de mudar, refrescando e tornando crísticos estes relacionamentos”, afirmou João Paiva, citado pelo jornal diocesano ‘Voz Portucalense’.

O orador assumiu a posição teórica de pároco para lançar provocações aos sacerdotes presentes, gerando um debate interativo sobre diversas problemáticas económicas e pastorais.

Já o padre Tiago Freitas abordou os itinerários para uma nova reconfiguração pastoral, apelando à criação de espaços de colaboração ativa nas comunidades e a uma revisão prática do ministério sacerdotal.

O sacerdote propôs uma forma de administração mais partilhada para os párocos, indicando que “tem de haver realmente uma delegação de responsabilidades”.

O orador destacou o fenómeno das migrações e a importância do diálogo entre religiões, exemplificando com o cenário atual no centro da cidade minhota.

“Já são quase tantas comunidades protestantes quanto aquelas que são as católicas”, assinalou o padre Tiago Freitas, apelando à articulação entre as diferentes confissões.

A construção de pontes para o bem da sociedade surge, assim, como uma prioridade para o responsável católico.

“Numa lógica sinodal, se nós temos duas expressões de fé, neste caso cristãs, e se queremos ter um trabalho conjunto, pelo menos numa plataforma de entendimento, que é o bem comum, dos nossos crentes e da nossa cidade, quer dizer que o diálogo, pelo menos ecuménico, deve ser uma forte aposta desta lógica sinodal”, declarou o sacerdote.

A sessão formativa foi presidida por D. Vitorino Soares, bispo auxiliar do Porto, e contou com a presença do padre Sérgio Leal, presidente da Comissão Sinodal diocesana.

Esta formação do clero insere-se no processo global de escuta e renovação da Igreja Católica, numa altura em que o Vaticano convocou as estruturas continentais para debater a implementação das orientações do Sínodo sobre a sinodalidade nas dinâmicas de cada diocese.

A iniciativa trouxe ao Porto o cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo dos bispos.

OC

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