Madeira: Bispo do Funchal pediu que rezem pelo «povo da Venezuela e emigrantes», na Nossa Senhora do Monte

D. Nuno Brás está a visitar as zonas afetadas pelos sismos na Venezuela, e a população emigrante portuguesa

Foto: Jornal da Madeira/Duarte Gomes (arquivo)

Funchal, Madeira, 15 ago 2026 (Ecclesia) – O bispo do Funchal enviou uma mensagem para a festa de Nossa Senhora do Monte, onde pediu que hoje tenham “presentes o povo da Venezuela e os emigrantes que ali trabalham”, na Missa da padroeira da Madeira.

“Rezemos por eles, para que encontrem na fé a força necessária para reconstruir as cidades destruídas e as suas vidas”, escreve D. Nuno Brás, na mensagem enviada para as celebrações de Nossa Senhora do Monte, e pela Diocese do Funchal à Agência ECCLESIA.

Neste dia 15 de agosto, solenidade da Assunção de Nossa Senhora e festa da padroeira da cidade e Diocese do Funchal, o bispo do Funchal preside, às 18h00 locais, a uma Eucaristia no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Los Teques, em memória das vítimas dos sismos.

“Este ano, irei celebrar Nossa Senhora do Monte na Venezuela mas ficai certos que o meu coração está também aí, junto da nossa padroeira, a quem os madeirenses se confiam, sobretudo quando partem para outros destinos. Que Ela a todos abençoe e proteja.”

D. Nuno Brás iniciou uma visita pastoral à Venezuela, para apoiar as vítimas dos recentes sismos, esta terça-feira, dia 11 de agosto, a convite do arcebispo de Caracas, D. Raúl Biord, que se conclui com a celebração da Missa no Centro Português de Caracas, este domingo, dia 16.

Na mensagem para a festa de Nossa Senhora do Monte, na Madeira, o bispo diocesano explica que foi visitar as diversas comunidades madeirenses que “vivem e trabalham” na Venezuela, e “muitos sofreram os recentes terremotos, ficaram sem casa, sem trabalho e, sobretudo, sem família”.

“Acabo de visitar a zona de La Guaira, onde nenhuma casa está habitável. O que vemos é um grau único de destruição, máquinas que removem os destroços, pessoas que ainda esperam recuperar os corpos dos seus familiares. As lágrimas vêm aos olhos e ao coração”, acrescentou, destacando que são muitos os voluntários que “ajudam, distribuem apoio alimentar, higiénico, psicológico, espiritual”.

Foto: Duarte Gomes/Jornal da Madeira; Nossa Senhora do Monte (arquivo 2025)

A Venezuela foi atingida por dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5, que ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, citado pela Agência Lusa; entre os 6.301 mortos, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.

Na ilha da Madeira, a Eucaristia da solenidade de Nossa Senhora da Assunção de Maria e de Nossa Senhora do Monte foi presidida pelo vigário-geral da Diocese do Funchal, o cónego Marcos Gonçalves, em representação do bispo.

“Maria elevada ao Céu é sinal da esperança da Igreja e da meta para onde caminhamos. Mas a esperança do Céu não nos afasta da terra. Pelo contrário, dá-nos força para viver neste mundo, assumir as nossas responsabilidades, servir os irmãos e trabalhar por uma sociedade mais justa e fraterna. Quem sabe para onde caminha encontra também uma razão maior para amar e servir aqui e agora”, disse o presidente da celebração, na homilia enviada à Agência ECCLESIA.

O cónego Marcos Gonçalves explicou que a Assunção de Maria proclama que “a última palavra pertence a Deus”, e quando olham para Nossa Senhora do Monte “glorificada no Céu”, contemplam “uma Mãe que intercede” e, ao mesmo tempo, um sinal de esperança: “unidos a Cristo, também nós somos chamados à vida que não acaba”.

“O coração da humanidade precisa de Deus, porque só do encontro e da amizade com Ele pode nascer uma humanidade mais fraterna, mais generosa, mais justa e mais capaz de construir a paz. Quem se deixa transformar por Cristo torna-se, por sua vez, sinal da sua presença no mundo, levando esperança, consolação e amor àqueles que encontra no caminho.” – Cónego Marcos Gonçalves

Na Venezuela, D. Nuno Brás, na manhã deste dia 15, concelebra na ordenação episcopal de D. José Dionísio Gomes de Gouveia, o novo bispo auxiliar de Caracas, um luso-descendente com raízes madeirenses, na igreja de São João Bosco, em Altamira.

CB

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