Setúbal: D. Américo Aguiar apela aos jovens para procurarem a sua vocação e a «espalhar a paz»

Cardeal alertou para violência que se estende ao ambiente digital

Foto: Diocese de Setúbal

Setúbal, 04 mai 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal presidiu este domingo à Missa da Bênção dos Finalistas das instituições de ensino superior Nova FCT, Egas Moniz e Piaget, em Almada, desafiando os participantes a promover a paz.

“Estamos num tempo em que as redes sociais, o ambiente digital, é de extrema cobardia uns com os outros. Nós matamo-nos uns aos outros através do teclado”, lamentou D. Américo Aguiar, numa homilia enviada hoje à Agência ECCLESIA.

A celebração, que reuniu centenas de estudantes no Parque da Paz, deixou um alerta contra a recusa das visões fatalistas sobre o futuro das novas gerações.

“Não ter medo. Seja o que Deus quiser e será uma coisa boa. Portanto, agarrar o amanhã, agarrar o futuro com toda a confiança”, apelou o cardeal português.

O bispo de Setúbal abordou diretamente os desafios da juventude portuguesa, reconhecendo os problemas de emprego e de precariedade, mas incentivando os estudantes a descobrir e a seguir a vocação para a qual sentem apelo, rejeitando a ditadura das “boas notas” e as lógicas de facilitismo.

“A sociedade devia permitir que cada estudante pudesse ser aquilo que sonha, pudesse corresponder à sua vocação”, defendeu, mostrando a sua oposição ao atual modelo de acesso ao ensino superior.

“Eu não acho bem os ‘numerus clausus’ de muitas coisas. Eu não acho bem que uma pessoa que sente ser médico tenha de ter uma média de 35 pontos”, acrescentou.

D. Américo Aguiar destacou ainda a preparação desta geração de estudantes, que descreveu como “cidadãos do mundo”, rejeitando as atitudes cobardes do ambiente digital.

O cardeal lembrou que o atual Parque da Paz já foi um “local com problemas” e pediu aos jovens que sejam construtores ativos da concórdia.

“Nós não podemos resolver os problemas do mundo, mas podemos resolver a paz em nossa casa. Façam o favor de começar a espalhar a paz à vossa volta”, desafiou.

A concluir, o bispo sadino recordou o ensinamento do Papa Francisco sobre a importância do encontro entre diferentes culturas e religiões, sublinhando que a escola e a universidade são os locais por excelência para a descoberta da fraternidade humana.

“Quem é diferente não é um problema, é uma riqueza, é uma oportunidade”, sustentou.

A celebração contou com a participação de centenas de pessoas.

OC

Partilhar:
Scroll to Top