Documento teve colaboração de responsável portuguesa pela pastoral do setor

Cidade do Vaticano, 24 mar 2026 (Ecclesia) – O relatório publicado hoje por um dos grupos de estudo criado pelo Papa Francisco defende a implementação do Observatório Eclesial sobre a Deficiência, com poder de decisão autónomo e liderança partilhada.
A proposta, explicitada no anexo B do relatório final do Grupo de Estudo n.º 2, desenha uma instituição inédita ligada à Santa Sé, que será obrigatoriamente copresidida por um bispo e por uma pessoa com deficiência.
“Nenhuma decisão substantiva poderá ser tomada sem o consentimento da maioria do conselho, incluindo a maioria das pessoas com deficiência”, indica o texto, publicado pela Secretaria-Geral do Sínodo dos Bispos e enviado à Agência ECCLESIA.
A reflexão retoma o documento final do Sínodo 2021-2024, na qual se pedia que este organismo surgisse “não como um observador passivo, mas sim para reforçar a participação na vida da Igreja das pessoas com deficiência, ouvindo as suas preocupações e questões enquanto agentes de evangelização”.
A nova proposta defende que a direção deste novo organismo seja composta por uma maioria de até dez leigos com deficiências (físicas, sensoriais ou cognitivas), integrando ainda familiares, cuidadores e representantes da Cúria Romana.
A nova abordagem pastoral deve “separar a noção de deficiência e de limitação humana inerente da de pecado e evitar uma visão dolorista, paternalista ou assistencialista da deficiência”.
Os objetivos do Observatório exigem uma mudança de paradigma teológico, colocando estas populações como protagonistas da missão.
A instituição assumiria a responsabilidade de coordenar o trabalho dos Dicastérios do Vaticano para assegurar o acesso litúrgico a todos os níveis, desde as paróquias à dimensão universal da Igreja.
Outro objetivo seria “aconselhar diretamente o Santo Padre sobre ações relativas às pessoas com deficiência, especialmente nas suas exortações anuais por ocasião do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência e outras intervenções semelhantes”.
O subgrupo responsável pela redação do texto contou com o contributo de Carmo Diniz, diretora do Serviço Pastoral a Pessoas com Deficiência (SPPD) da Conferência Episcopal Portuguesa.
OC
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