Fátima: Núncio apostólico afirmou que «ninguém tem o direito de rejeitar o estrangeiro», na Peregrinação do Migrante e do Refugiado

D. Andrés Carrascosa Coso começou por «expressar a todos a saudação e a bênção do Papa Leão XIV»

Foto: Santuário de Fátima

Fátima, 12 ago 2026 (Ecclesia) – O núncio apostólico em Portugal, que preside à Peregrinação do Migrante e do Refugiado a Fátima, afirmou que “ninguém tem o direito de rejeitar o estrangeiro”, ao recordar que acompanhou quem deixou “a terra portuguesa à procura de trabalho”.

“Em diversos países do mundo, durante a minha vida, sobretudo na Suíça e no Canadá, tive a graça de conhecer e acompanhar pessoas que tinham deixado a terra portuguesa à procura de trabalho. Histórias de superação, mas também sofrimento ao perceber a rejeição de quem te faz sentir estrangeiro, e considera que todos os estrangeiros são maus”, disse D. Andrés Carrascosa Coso, esta noite, na homilia da celebração da Palavra da Peregrinação Internacional Aniversária a Fátima.

O núncio apostólico em Portugal, que chegou ao país em fevereiro deste ano, acrescentou que está a cruzar os seus passos “com pessoas de outros países que moram e trabalham” cá, para afirmar que “ninguém tem o direito de rejeitar o estrangeiro”.

“E ninguém tem o direito de rejeitar o estrangeiro, tanto menos aqueles que nos chamamos cristãos e que sabemos o que Deus nos pede: ‘Não violarás o direito do estrangeiro’. E ainda menos o povo português que em muitos dos seus membros sabe o que é viver o sofrimento de sair da sua terra para ir para outros países e continentes”, desenvolveu, no recinto de oração do Santuário de Fátima.

D. Andrés Carrascosa Coso, que na conferência de imprensa, desta tarde, já tinha afirmado que “o povo português não tem direito a ser xenófobo”, explicou que a memória das dificuldades vividas deve tomar as pessoas “mais sensíveis ao sofrimento dos outros”.

“Nesta peregrinação internacional marcada pela presença tão numerosa de pessoas que fizeram ou estão a fazer a experiência da migração, a Palavra de Deus ilumina a nossa vida e diz-nos que devemos tratar o nosso próximo como nós mesmos gostaríamos de ser tratados”, observou o presidente da celebração, que começou a homilia a “expressar a todos a saudação e a bênção do Papa Leão XIV”.

“Deus tem um amor especial por cada um quando somos mais vulneráveis. E quando aprendemos a olhar com os olhos de Deus descobrimos que o outro nunca é um estranho, mas é sempre um próximo que podemos amar concretamente.”

O arcebispo espanhol explicou que chegaram ao Santuário de Fátima, “como filhos à casa da Mãe”, de muitos lugares diferentes, “de todo o mundo”, até ao lugar sagrado que Nossa Senhora “escolheu para se manifestar àqueles pastorinhos”, cada um “com a sua história pessoal, com os seus problemas, com as suas dores no corpo”, “feridas também na alma”.

“Quantas vezes também na nossa vida atravessamos momentos de dificuldade, quase de eclipse de Deus que nos enche de escuridão – como hoje aconteceu – e chega a faltar o vinho da alegria e da vida de Deus. A nossa Mãe apresenta a Jesus os nossos problemas, mas Ela, como fez em Caná da Galileia, sempre vai pedir-nos: “Fazei tudo o que Ele vos disser!”, indicou, a partir do Evangelho da celebração da Palavra.

Foto: Santuário de Fátima

Segundo o núncio apostólico em Portugal, a “Mãe de Fátima” ensina a portarem-se “como bons cristãos e honestos cidadãos”, e, nesta noite, colocaram “no coração da Mãe e Senhora as vidas e os sofrimentos, as tristezas e as esperanças” de cada migrante, de cada refugiado ou exilado.

“Esta vela que levamos acesa durante a nossa oração e procissão é um sinal da nossa fé e da nossa confiança em Nossa Senhora de Fátima, é una luz num mundo escurecido, mas ao mesmo tempo é um compromisso de querer ser dignos filhos de tão grande Mãe, filhos que fazem na vida aquilo que Jesus nos diz.”

Nas preces rezaram pelos migrantes e refugiados, lembraram as vítimas do terramoto na Colômbia, e pediram pelo Papa e o colégio episcopal, pela paz, os pobres, os desanimados e angustiados, os jovens, na Peregrinação Internacional Aniversária de agosto ao Santuário de Fátima, que faz memória da 4ª Aparição de Nossa Senhora aos três pastorinhos, a 19 de agosto de 1917.

A Igreja Católica em Portugal está a celebrar a Semana Nacional de Migrações 2026, a 54.ª edição, desde domingo, com o tema ‘Da fragilidade à Esperança’, até dia 16 de agosto.

CB

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