Quaresma: Comissão Nacional Justiça e Paz convida a estar «ao lado do outro», com atenção à realidade

«Não podemos ser indiferentes», sublinha José Maia, secretário-geral do organismo católico

Lisboa, 24 mar 2026 (Ecclesia) – A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) convida a estar “ao lado do outro e caminhar com o outro” na sua reflexão quaresmal, que propôs a partir das palavras “escutar, jejuar, juntos” da mensagem do Papa Leão XIV.

“A nossa consciência não é apenas uma realidade interior, mas implica a ação, implica estarmos presentes também na realidade em que vivemos e, por isso, olharmos à nossa volta, não para o que aconteceu no passado, mas a realidade do hoje, deste hoje que é 2026”, disse José Maia, secretário-geral da CNJP, em entrevista à Agência ECCLESIA.

‘Quaresma – um caminho de proximidade com Deus, entre nós e com a natureza’, é o tema da reflexão do organismo laical da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) para a Quaresma 2026, a partir das palavras ‘escutar, jejuar, juntos’, da mensagem do Papa Leão XIV para este tempo litúrgico.

O entrevistado explica que a Comissão Nacional Justiça e Paz olhou para aquilo que está à sua volta, porque a Quaresma, para este organismo laical, “não é uma realidade apenas interiorizada, mas sai para fora” e concretiza-se, o que implica também o olhar “ou estar presente nas realidades” em que vivem.

Segundo José Maia, ‘escutar’, é “escutar a palavra de Deus”, mas “implica também a ação”, e ver quais são as realidades que “interpelam”, “olhar para a realidade no mundo”, como as que a CNJP elencam na sua reflexão – a guerra na Ucrânia, e a guerra civil em Myanmar, os conflitos em Moçambique e outros países de África, a “tragédia” na Terra Santa, “envolvendo Israel e a Faixa de Gaza”, a Guerra do Irão –, e o que se vive em cada realidade.

“Estes problemas dos temporais, que vivemos nesta região centro, mas também as realidades com os problemas das dificuldades de relacionamento com os migrantes, com as situações mais marginais com que nos defrontamos, porque não podemos ser indiferentes, mas temos que ir ao encontro desta realidade”, desenvolveu.

O secretário-geral da Comissão Nacional Justiça e Paz, da Igreja Católica em Portugal, referiu-se também às “palavras ofensivas de teor racista” e explicou que se constroem relações sociais baseadas, “muitas vezes, e amplificadas também pelos meios de comunicação e as redes sociais” onde não se medem as palavras, que se usam “como armas de arremesso imediato contra o outro”.

“Falta hoje colocarmo-nos ao lado do outro e caminhar com o outro, não é uma questão individual. Por isso, o ‘juntos’, que o Papa nos desafia no terceiro elemento, não é apenas os do meu contexto, da minha paróquia, do meu movimento, do meu clube, da minha cidade, ou do meu país, estes juntos que nos alarga os horizontes”.

A reflexão quaresmal 2026, do organismo laical da CEP, é para todos, não foi escrita para cristãos, porque “este caminho da proximidade é com Deus, mas é também com os outros, entre nós”, e com a natureza.

“Olhando para aquilo que são também estas calamidades e estes gritos que a natureza nos dá, implica também olharmos e vermos que papel é que nós temos, e como é que podemos olhar e ouvir estes gritos, acrescentou José Maia, no Programa ECCLESIA, transmitido hoje na RTP2.

O secretário-geral da CNJP salienta que a Quaresma, tempo de preparação para a festa da Páscoa, “é vivida em grupo e comunitariamente”, implica estar presente e ir ao encontro, “não é 40 dias e volta tudo ao mesmo”, porque “é tempo perdido”, o importante é esses dias “serem vividos para que aconteça alguma mudança”.

LS/CB/OC

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