Setúbal: Pároco alerta para pobreza escondida na Costa da Caparica e sublinha importância da proximidade na ação da Igreja

Padre Casimiro Henriques explica preparação e impacto das visitas pastorais, que abrem portas junto das comunidades locais

Foto: Agência ECCLESIA/TAM

Almada, 29 mai 2026 (Ecclesia) – O pároco da Costa da Caparica e da Trafaria alertou para a pobreza escondida na região, sublinhando a importância do contacto de proximidade com as populações, promovido pela Igreja Católica.

“Ninguém imagina que aqui, nas arribas, junto à costa, que há miséria e que há pessoas completamente desprotegidas e abaixo do limiar da pobreza, com condições desumanas”, alertou o padre Casimiro Henriques, em entrevista à Agência ECCLESIA.

O sacerdote dá início a um ciclo de conversas, na Antena 1, sobre o tema das visitas pastorais, evocando a sua experiência na Diocese de Setúbal e, em particular, a passagem do bispo sadino pelas duas paróquias, entre 14 e 22 de fevereiro, poucos meses após a tomada de posse do atual pároco.

O responsável sublinha que o programa desses dias permitiu ir ao encontro de realidades que nem todos conhecem e que podem mesmo “chocar”.

“A paróquia oferece ao senhor bispo uma visão muito próxima, íntima, profunda, da realidade”, constatou o padre Casimiro Henriques.

A urgência de resposta social no território marcou a recente visita pastoral, na qual o cardeal D. Américo Aguiar contactou com as populações e escutou as queixas de quem sofre com a enorme especulação imobiliária.

“O sacerdote, tendo um papel mais relevante ou menos relevante consoante a realidade onde se move, pode efetivamente também ser desbloqueador de muitas coisas”, precisou o pároco da Costa da Caparica e da Trafaria.

O percurso da visita pastoral abrangeu a comunidade piscatória, cujos membros aproveitaram a presença da hierarquia para pedir ajuda à Igreja, face aos constrangimentos económicos e de sobrevivência.

O padre Casimiro Henriques é também assistente nacional do Apostolado do Mar e sublinha a sua admiração pela religiosidade destas pessoas.

“O pescador tem uma fé de limite, porque ele sabe que ele vive no limite da vida, vive no limite da sociedade, muitas das vezes vive no limite da economia”, explicou.

Um dos frutos da visita pastoral é, por exemplo, o regresso da tradicional procissão de Nossa Senhora da Conceição, na Fonte da Telha.

Além do mar, a realidade local é marcada pela agricultura, este ano afetada pelas recentes intempéries, imagens que emocionaram D. Américo Aguiar.

“Ele chegar ali e ver os campos que deveriam estar cheios de produtos estarem todos debaixo da água impactou”, descreveu o padre Casimiro Henriques.

Acelerada pela transformação da demografia, com habitantes de mais de 40 nacionalidades, a pastoral exige uma avaliação contínua das estratégias das comunidades.

“Temos de ter a coragem de deixar para trás o que está desadequado”, desafiou o pároco.

As visitas às casas dos doentes e o contacto espontâneo com a população no paredão da praia completaram este périplo do bispo de Setúbal, na sua visita pastoral, que tem ainda previsto um regresso em junho para passar pelas escolas da Costa da Caparica.

OC

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