D. António Luciano interveio na uma apresentação de relatório da Fundação AIS, no Centro Pastoral

Viseu, 16 jul 2026 (Ecclesia) – O bispo de Viseu afirmou, esta quarta-feira, que os mártires dos dias de hoje “escrevem com letras de ouro a verdadeira história da humanidade”, numa intervenção no Centro Pastoral, naquela cidade.
D. António Luciano participou na apresentação do Relatório da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) sobre a Liberdade Religiosa no Mundo e destacou a importância de se falar deste tema por ser “pertinente e atual”, e por recordar que “a dignidade humana e a liberdade religiosa são o fundamento de todo o tipo de liberdade”.
O bispo diocesano agradeceu o trabalho e a missão da AIS por trazer para a luz do dia estas histórias e por dar a conhecer estes protagonistas da fé.
“Nós vemos essas situações nos leigos, nos catequistas, nos que preferem morrer a renunciar à sua fé, um religioso, um sacerdote, porventura um bispo…”, referiu.
D. António Luciano sublinhou a importância de eventos como a sessão promovida em Viseu, que mostram, “com realismo, mas ao mesmo tempo com verdade, este fenómeno de perseguição religiosa no mundo”, informa a fundação pontifícia.
No início da apresentação do Relatório da Fundação AIS, foram lembrados alguns casos de comunidades cristãs que têm experimentado na pele a perseguição religiosa e, entre os muitos países assinalados a vermelho no documento, salientaram-se as situações que se vivem na Nigéria e em Moçambique.
No que toca ao primeiro país, recordou-se o caso da jovem cristã Leah Sharibu, que com 14 anos foi raptada em fevereiro de 2018 da escola onde vivia em Dapchi, e mantida em cativeiro desde então por ter recusado renunciar à sua fé.
Relativamente a Moçambique, salientou-se a violência terrorista que se faz sentir com particular intensidade em Cabo Delgado, tendo-se dado como exemplo da ameaça à comunidade cristã “o ataque e destruição da missão católica de São Luis de Montfort, na Diocese de Pemba, no final de abril deste ano”.
“Tudo isto fez-me estremecer, porque não são realidades estranhas. São realidades que conhecemos bem”, expressou D. António Luciano.
O caso de Moçambique impactou em particular o bispo de Viseu, uma vez que conheceu o país; o responsável católico esteve em Quelimane, durante o serviço militar, e teve a oportunidade de conhecer D. José Garcia, o primeiro bispo de Pemba, missionário da Boa Nova, que mais tarde viria a ser até seu professor no seminário e a quem acompanharia nos últimos momentos de vida.
“Que este encontro de hoje nos abra o coração ao respeito mútuo, à escuta, ao diálogo, a promover o espírito de tolerância entre os povos e nações, no respeito da liberdade fundamental, no respeito por todas as liberdades”, desejou.
“E que a liberdade religiosa seja realmente uma grande bandeira para o maior bem da pessoa humana, da sua defesa, da sua promoção e também do futuro da sociedade”, completou.
A sessão incluiu a participação de Catarina Martins de Bettencourt, diretora do secretariado nacional da Fundação AIS, que apresentou em linhas gerais o Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, e terminou com a celebração da Eucaristia na capela do Centro Pastoral.
De acordo com a AIS, no final da apresentação do documento, praticamente todos os presentes, entre os quais o bispo, assinaram a petição que a fundação pontifícia lançou no final do ano passado, a nível global, em defesa da liberdade religiosa no mundo.
A Petição é dirigida ao secretário-geral da ONU, António Guterres; ao Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk; e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, além de líderes de governos democráticos, embaixadores e representantes diplomáticos e a todos os membros da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Além de Viseu, o Relatório 2025 da Liberdade Religiosa da Fundação AIS já foi apresentado nas dioceses de Viana do Castelo, Braga, Porto, Évora, Lisboa, Setúbal, Portalegre-Castelo Branco, Lamego, Angra, nos Açores, e em Beja, tendo contado, no final do ano passado, durante a primeira apresentação pública, com o testemunho do Padre Hugo Alaniz, missionário que veio de Alepo, na Síria.
LJ/PR
