Sínodo/Porto: Conselho Paroquial de Pastoral da Paróquia da Maia inclui presenças do âmbito da política, economia, educação e saúde

Padre António Bacelar, Manuela França e António Ferreira abordam participação  num organismo que tem o objetivo de ser «laboratório de comunhão» e de discernimento

Foto: Agência Ecclesia/LS

Maia, 16 jul 2026 (Ecclesia) – O Conselho Paroquial de Pastoral (CPP) da Paróquia São Miguel da Maia, na Diocese do Porto, tomou posse no último domingo, no contexto da fase de implementação do Sínodo.

A tomada de posse do CPP aconteceu na Eucaristia presidida por D. Joaquim Dionísio, bispo auxiliar do Porto, no recinto da Fundação Gramaxo, ao lado do Santuário de Nossa Senhora do Bom Despacho.

“Laboratório de comunhão, no sentido que não é só uma assembleia de representantes, mas é um espaço onde procuraremos, juntos, discernir o caminho que o Espírito Santo vai sugerindo”, disse o padre António Bacelar, em declarações à Agência ECCLESIA.

O pároco da Maia indica que o Conselho Paroquial de Pastoral tem seis membros nomeados não apenas pelo serviço que prestam na paróquia, mas pela intervenção que têm no mundo, no âmbito da política, da economia, da educação e da saúde.

A intenção, segundo o sacerdote, “é que a Igreja viva sempre mais de portas abertas ao mundo” e que nele esteja presente sobretudo com a vocação laical.

Segundo o regulamento, o Conselho Paroquial de Pastoral, da Paróquia de São Miguel da Maia, é, “nesta parcela do Povo de Deus, o primeiro órgão de serviço à comunhão e ao discernimento vocacional, elementos essenciais ao caminho com toda a Igreja para a humanidade”.

O padre António Bacelar refere que a equipa do CPP integra as pastorais profética, catequética, litúrgica, sócio caritativa, desde “conferências vicentinas, aos diversos movimentos, mas que estão representados por uma pessoa para facilitar” a comunhão entre todos.

“Espero, por exemplo, nos próximos tempos abrir um grupo de diálogo com todos os nossos irmãos e irmãs, aberto a todos os nossos irmãos e irmãs que não têm uma crença religiosa. Gostaria que também essa valência estivesse presente”, expressou.

O sacerdote acrescenta que também o mundo da arte e da cultura está a ser estruturado para integrar o Conselho Paroquial de Pastoral, para materializar a “abertura e presença do mundo, não de conquista, mas de serviço”, e da leitura das realidades que existem.

Foto: Agência Ecclesia/LS, António Ferreira e Manuela França

Entre os membros do CPP está António Ferreira, cuja intervenção se relaciona com os grupos corais da Paróquia de São Miguel da Maia.

“Nós temos aqui até uma freguesia com uma diversidade de grupos corais interessante. Nós temos quatro grupos corais que vão animar as várias eucaristias e temos também depois a participação pontual durante uma vez por mês do grupo dos escuteiros que também fazem animação musical”, contou.

Além disso, o entrevistado destaca que a Maia tem uma forte presença da comunidade brasileira, que participa nas celebrações num dos sábados.

“Portanto, a ideia da minha presença no Conselho Pastoral é de alguma forma pegar nestas diversidades e fazer um pouco a ponte, portanto levar aquilo que pode ser as várias ideias e as várias culturas e as várias diferenças, porque há muitas formas de cantar”, enfatiza.

António Ferreira defende que o Conselho Pastoral já tem implícito o princípio sinodal, realçando que mais do que impor, importa, acima de tudo, “escutar”, “ouvir”, “conversar”.

“Eu acho que cada vez mais as comunidades têm que perceber que o exercício da fé é feito por nós, enquanto leigos, em que a figura não é tanto a presença do padre, mas acaba por ser toda esta equipa em que Deus é que está presente, é que vai levar a fé e vai demonstrar e vai potenciar esta fé no nosso dia-a-dia”, manifestou.

Também Manuela França colabora na Paróquia da Maia na área da música e num grupo recém-criado com foco no caminho e aprofundamento da fé, que prepara 12 encontros ao longo do ano, para quem vai receber os sacramentos de iniciação cristã, estando aberto também a outros elementos da comunidade que queiram aprofundar outros temas.

“Começamos com temas como a trindade, o Espírito Santo, a palavra, a liturgia, até chegarmos a outros como o ecumenismo e a doutrina social da Igreja, por isso são temas abrangentes ao longo de 12 sessões”, elucida.

A Paróquia da Maia tem ainda o projeto “Cristãos no Mundo”, que, de acordo com Manuela França, “é muito aberto à discussão e à partilha de ideias”.

“Também decorreu este ano pela primeira vez, em que, em comunidade, pensamos quais os temas mais relevantes, quais é que queremos ver apresentados e chamamos alguém de fora para uma sessão aberta a todos”, disse.

Manuela França lembrou o Papa Francisco, reforçando a ideia de que os cristãos não podem estar fechados dentro das igrejas e das sacristias.

A entrevistada acredita que o CPP vai ser uma oportunidade fantástica para a comunidade da Maia, ressaltando que há muitos caminhos bons possíveis e apontou que o maior desafio nestes processos sinodais é o da “escuta”.

“Aqui o desafio é passarmos desse discernimento individual para um discernimento comunitário, que é mais desafiante, porque pensamos todos com cabeças diferentes”, mencionou.

Atualmente, a Igreja do Porto vive o Sínodo Diocesano, com o lema “Ser Porto: formar, reformar, transformar” que se prolonga até 2028, para discernir novos caminhos e renovar a missão no coração deste mundo e deste tempo.

Para o padre António Bacelar, esta nova fase da diocese é o sublinhar de tudo aquilo que esta tem experienciado com a Igreja e que naquele território se deseja que encontre “uma concretização mais plena e mais profunda na leitura da realidade” que ali acontece.

“É sobretudo um grande apelo à conversão, ao regresso ao Evangelho, ao essencial, a Deus como base, à vocação batismal de todos nós, padres incluídos, porque é a base essencial e sem a qual não há sinodalidade”, salientou.

“É caminho onde o próprio caminho é já a mensagem, o caminho da escuta uns dos outros para que possamos escutar o Espírito Santo, o caminho do discernimento e do tentar perceber aquilo que de facto Deus diz hoje à Igreja”, desenvolveu o sacerdote.

Questionado sobre se o processo sinodal se poder reduzir apenas à escuta, o sacerdote assume que esse é um risco, no entanto este seria maior se ninguém se escutasse.

“É preciso, de facto, que a escuta uns dos outros seja a escuta do Espírito Santo e que seja também o encontrar modos de decisão em corresponsabilidade diferenciada, como diz o próprio documento final do concílio, mas que cheguemos também a decisões e diretivas concretas”, defendeu.

Este domingo, o programa 70×7 emitido na RTP vai abordar o tema do Sínodo na Diocese do Porto, também a partir dos  testemunhos sobre o Conselho Paroquial de Pastoral da Paróquia da Maia.

LS/LJ/PR

Partilhar:
Scroll to Top