Setúbal: Diocese lança inquérito para conhecer a realidade dos migrantes nas suas comunidades

«A participação dos próprios imigrantes é fundamental», afirma Elsa Melo, sobre o inquérito disponível online e nas paróquias

Foto: Ricardo Perna/Diocese de Setúbal

Setúbal, 15 abr 2026 (Ecclesia) – A Diocese de Setúbal está a promover “um grande inquérito à população migrante” no seu território, com o objetivo de “conhecer melhor a sua realidade”, e para perceber de que forma pode apoiar quem necessita de “ajuda”.

“O que nos levou a realizar este inquérito foi a necessidade de compreender melhor a realidade da imigração na diocese. Surgiu a preocupação de conhecer de forma mais concreta quem são as pessoas imigrantes presentes nas nossas comunidades, quais as suas condições de vida, desafios e formas de integração”, explica a responsável da Comissão Diocesana Justiça e Paz (CDJP), em declarações enviadas à Agência ECCLESIA pela Diocese sadina.

Segundo Elsa Melo, este inquérito diocesano à população migrante pretende “ajudar a Igreja local a responder de maneira mais informada, acolhedora e eficaz às necessidades destas pessoas”.

O inquérito da Comissão Diocesana Justiça e Paz de Setúbal, desenvolvido em parceria com o Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), abrange “áreas consideradas críticas” para a integração dos imigrantes – habitação, saúde, educação, trabalho, formação profissional, participação comunitária, tratamento de documentação e segurança -, para compreender “de forma mais clara como se processa a integração dos imigrantes na sociedade”.

“Pretende-se analisar a sua realidade em termos sociais e económicos, nomeadamente o acesso ao emprego, habitação e redes de apoio. Para além disso, o inquérito visa recolher a perceção dos próprios imigrantes relativamente à segurança e às suas condições de vida, identificando eventuais dificuldades, necessidades e oportunidades de melhoria”, desenvolveu Elsa Melo.

A Diocese de Setúbal informa que este “grande inquérito à população migrante” é um estudo, “de carácter académico”, que está a ser distribuído por todas as paróquias, a participação é voluntária, anónima e confidencial.

Este inquérito diocesano pode ser preenchido de duas formas – no telemóvel, através de um código QR, ou em suporte de papel nas paróquias -, até 1 de junho, mas o prazo pode ser prolongado caso o número de participações “seja insuficiente”.

Esta iniciativa surge na sequência da conferência organizada pela CDJP de Setúbal, sobre o tema ‘Um coração aberto ao mundo inteiro: Acolhemos, protegemos, promovemos, integramos’, no dia 25 de janeiro de 2025.

“Este estudo pode contribuir para mudar a perceção das pessoas sobre a realidade das migrações. A ideia é demonstrar que os imigrantes são uma mais-valia para a sociedade, nomeadamente através da sua participação na criação de riqueza e na diversificação cultural, contrariando visões simplistas ou negativas”, acrescentou Elsa Melo, a responsável da Comissão Diocesana Justiça e Paz sadina salientou que “a participação dos próprios imigrantes é fundamental”.

A Diocese de Setúbal informa que este estudo da CDJP e do IPS se insere num contexto nacional em que Portugal se tornou, “nos últimos anos, um dos países europeus com maior crescimento relativo da população imigrante”; o território diocesano abrange os distritos de Setúbal e Beja, onde “regista presença significativa” de comunidades de países da América, Africa e Ásia, como Brasil, Angola, Cabo Verde, Nepal e Bangladesh.

CB/OC

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