Processo de canonização do fundador da Obra da Rua espera realização de milagre, afirma postulador da causa de canonização

Lisboa, 17 jul 2026 (Ecclesia) – Os 70 anos da morte do padre Américo, fundador da Obra da Rua e conhecido pela marca deixada na assistência social em Portugal, foram assinalados na terça e quinta-feira, em Valongo e no Porto, locais que marcaram a história e o legado do sacerdote.
“Tem sempre impacto fazer memória de alguém que, para nós, é um modelo de vida. É sempre reforçar esta certeza, esta convicção da santidade do padre Américo e da importância da sua obra”, afirmou o padre João Pedro Bizarro, postulador da causa de canonização, em declarações à Agência ECCLESIA.
O sacerdote descreve que “foram celebrações muito simples, singelas, mas que marcaram o coração daqueles que participaram esta certeza da santidade” do fundador da Casa do Gaiato.
O programa celebrativo iniciou-se na terça-feira em Campo, Valongo, com um momento de acolhimento e oração marcado, pelas 17h00, junto às Alminhas Padre Américo, e, mais tarde, pelas 18h, a igreja Paroquial de São Martinho de Campo acolheu a Eucaristia, presidida pelo padre João Pedro Bizarro.
Já na quinta-feira, dia de Nossa Senhora do Carmo e data exata do aniversário do falecimento do fundador da Obra da Rua, o bispo auxiliar do Porto D. Roberto Mariz presidiu a uma Eucaristia no Hospital de Santo António, no Porto, prestando homenagem no local onde o “Pai Américo” partiu há precisamente 70 anos.
O padre João Bizarro considera que estas celebrações fizeram “uma vez mais, a divulgação da causa” da canonização que “não pode ficar esquecida”, dando conta que muitas das pessoas que participaram no programa celebrativo ainda estão marcadas pela ação do padre Américo.
Américo Monteiro de Aguiar nasceu em Galegos, Penafiel, a 23 de outubro de 1887 e faleceu no Hospital de Santo António, Porto, a 16 de julho de 1956, depois de um acidente de carro, tendo dedicado a sua vida aos mais pobres, especialmente os jovens em risco, acolhidos nas Casas do Gaiato, e aos doentes incuráveis.
O postulador da causa de canonização caracteriza o fundador da Obra da Rua como “uma figura incontornável”, que doou “toda a sua vida ao serviço dos pobres, dos mais carenciados, de modo particular às crianças que não tinham o apoio social que existe hoje em dia, garantindo-lhes um teto, comida e a entrada “na sociedade de modo autónomo”.
“Muitos destes miúdos aprenderam artes e ofícios que lhes deram possibilidade de singrar na vida e hoje têm até filhos e netos com curso superior e assumir posições importantes na vida da sociedade portuguesa”, sublinha.
O pároco de Campo (Valongo), na Diocese do Porto, defende que o padre Américo continua a ter “um impacto relevante e significativo”, sobretudo na vida dos jovens que, retirados das famílias pela ação social do Estado, “continuam a encontrar um lugar onde podem crescer com dignidade, aprender, estudar e ter horizontes de futuro”.
O responsável lembra que o fundador da Obra da Rua analisava a “realidade social da época”, “as carências e não se limitava a dar uma esmola”, mas “ajudava que as pessoas pudessem cortar com o ciclo da pobreza e pudessem de modo autónomo retomar as suas atividades sociais com a dignidade que lhes compete”.
“Já nessa época, o padre Américo não era apologista de subsídios”, mas “da inserção social”, algo que é completamente distinto, menciona o padre João Bizarro, falando num homem com “uma visão que se mantém muito atual nos dias” de hoje.
LJ
Notícia atualizada às 20h19
Vaticano: Papa abre caminho à beatificação do Padre Américo, fundador da Obra da Rua



