Nomeado em abril, padre Ricardo Madeira fala sobre o início da nova função e sobre o que significa a assistência religiosa e espiritual
Lisboa, 26 mai 2026 (Ecclesia) – O padre Ricardo Madeira, novo coordenador nacional das capelanias hospitalares, afirmou que a fase inicial desta nova missão passa por identificar as boas práticas deste setor para depois promover novas iniciativas tendo em vista o bem dos doentes.
“O primeiro passo é diagnosticar o que já existe, o que se faz bem, e faz-se muito bem porque há congressos, há jornadas, há dias de formação”, indicou o sacerdote da Diocese de Santarém, em entrevista ao Programa ECCLESIA que é transmitido esta terça-feira, na RTP2.
“A coordenação das Capelanias é um projeto de promover esta ligação entre os coordenadores diocesanos e depois dar formação, avaliar o que se faz e promover também aspetos novos que se possam vir a fazer a bem dos doentes e da Pastoral da Saúde e das capelanias”, acrescentou.
O novo responsável foi nomeado para o cargo na Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, que decorreu de 13 a 16 de abril.
O sacerdote agradece a “confiança” que os bispos portugueses depositaram em si e procura agora estabelecer relação com outros serviços.
“O projeto, para já, é de ligação próxima, de comunhão entre a Pastoral da Saúde e também as capelanias, para que em conjunto possamos manifestar o direito que as pessoas têm, esta assistência espiritual e religiosa, mas também colocar a Igreja nesta consciência de que precisa de ocupar esse espaço, de divulgar o que pode fazer, e as capelanias também entram neste conceito”, disse.
Apesar de este ser um novo desafio, o padre Ricardo Madeira explica que já prestou apoio religioso e espiritual no Hospital Rainha Santa Isabel em Torres Novas, da Unidade Local de Saúde do Médio Tejo.
“[Assistir espiritualmente] é acompanhar a pessoa nas suas necessidades espirituais. É acompanhar a pessoa logo numa dimensão de humanização da saúde, que todos procuramos. Os profissionais de saúde fazem muito bem este cuidado com a pessoa, quando se está doente ou fragilizada. Por isso há um primeiro contacto humano”, refere.
O sacerdote dá conta que o papel das capelanias “é mostrar às pessoas que elas não estão sozinhas”.
Em Portugal existem mais 180 sacerdotes e assistentes espirituais que desenvolvem o serviço de assistência religiosa e espiritual em ambiente hospitalar.
“Os hospitais públicos e privados têm este serviço como uma resposta à necessidade dos doentes”, menciona o padre Ricardo Madeira.
O novo coordenador nacional das capelanias hospitalares salienta que cada “pessoa tem a sua história”, as suas “raízes”, a sua família e a sua comunidade e é preciso que a Igreja esteja presente, como tem acontecido.
“Foi uma presença que acabou por construir hospitais e cuidados de saúde junto dos mosteiros, das catedrais. E são dois mil anos de história também a cuidar”, lembrou.
No âmbito da saúde, Bragança vai acolher o I Congresso Internacional de Espiritualidade em Cuidados Paliativos nos dias 5 e 6 de junho, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Bragança.
A iniciativa conta também em colaboração com o Instituto de Politécnico de Leiria, a Unidade Local de Saúde do Nordeste e a Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos.
“São sinergias que ajudam a que se mostre que há, de norte a sul, também este cuidado e esta resposta. Por isso é também um desafio a que participem os profissionais e os nossos capelães neste congresso e noutras atividades similares que vão acontecendo”, convidou.
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