Vírus detetado na região leste da República Democrática do Congo obrigou ao encerramento de fronteiras internacionais

Kinshasa, 26 mai 2026 (Ecclesia) – A rede Cáritas está a estruturar um plano de contingência integrado com o Governo da República Democrática do Congo (RDC) para conter a nova propagação da epidemia de Ébola na zona leste do país.
A organização de solidariedade convocou os parceiros internacionais, através de um Fórum Nacional extraordinário, face à constatação de que a estirpe detetada (Bundibugyo) não possui qualquer vacina ou tratamento disponível.
“A resposta a esta crise deve assentar numa forte sinergia entre os membros da rede Caritas, as autoridades governamentais, os parceiros técnicos e financeiros e outros intervenientes humanitários”, explicou o padre Edouard Makimba, secretário executivo da Cáritas Congo, em declarações ao portal de instituição.
A estrutura católica alertou para a vulnerabilidade crítica nos campos de deslocados e na falta de equipamentos de proteção para os profissionais de saúde.
A comissão epidemiológica manifestou preocupação perante a resistência social provocada pela associação de óbitos a maldições e crenças místicas, obstáculo que dificulta a prevenção clínica.
A situação obrigou o bispo diocesano de Butembo-Beni a difundir uma diretriz pastoral para os locais de culto da região afetada.
“Sem pânico, mas mantendo-nos cautelosos e vigilantes, apliquemos rigorosamente as medidas de saúde pública”, pediu D. Sikuli Paluku Melchisédech.
O decreto eclesiástico determinou a instalação de pontos de lavagem e a suspensão imediata do gesto de cumprimento com as mãos durante as celebrações litúrgicas.
As autoridades locais decretaram um limite de 50 pessoas para reuniões públicas na província de Ituri e proibiram a transferência de cadáveres através de meios privados.
O avanço da crise sanitária levou a Organização Mundial da Saúde a emitir o nível máximo de alerta para o território.
A instabilidade provocou também reações diplomáticas nos países limítrofes, originando o fecho de passagens fronteiriças terrestres e o bloqueio da entrada de estrangeiros provenientes da RDC no Ruanda.
O atual surto constitui a 17.ª ocorrência na RD Congo desde a identificação original do vírus em 1976.
OC
