D. Rui Valério alertou para os riscos do hábito face aos conflitos e pediu «menos imagens de guerra» nos meios de comunicação social

Lisboa, 24 mar 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa alertou hoje para a necessidade de a sociedade se sentir “profundamente incomodada com a violência e com a guerra”, pedindo uma interrupção do círculo vicioso dos conflitos mundiais.
“A sociedade precisa de se sentir profundamente incomodada com a violência e com a guerra, e nós podemos participar dessa denúncia para suscitar nos corações esse desagrado, para que chegue ao coração e aos ouvidos dos responsáveis”, referiu D. Rui Valério à Agência ECCLESIA, à margem da celebração dos 520 anos da Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa.
O responsável católico, que tomou posse como irmão honorário da instituição, destacou que o pior que a humanidade pode fazer é “habituar-se à guerra”, apelando a ações concretas e de solidariedade.
Na sua homilia, o patriarca dirigiu um pedido direto aos meios de comunicação social para que transmitam “menos imagens de guerra”, alertando para os efeitos nocivos da sobre-exposição à violência bélica na psicologia coletiva.
“Este repetir, este renovar, este insistir com aquelas imagens, com aquelas atitudes bélicas que estão a acontecer nas geografias onde há guerra, isso tem um impacto depois ao nível da nossa psicologia”, lamentou.
O patriarca de Lisboa, antigo bispo das Forças Armadas e de Segurança, defendeu que o aumento dos níveis de agressividade nas relações interpessoais está ligado à naturalização do clima de violência global.
A guerra só gera guerra, o conflito só gera conflito, a violência só gera violência, por isso é necessário haver aqui uma interrupção desse círculo vicioso e só se consegue com uma paz desarmada e uma paz desarmante.”

Durante a cerimónia, D. Rui Valério elogiou o papel histórico da Irmandade de São Roque, sublinhando o compromisso permanente da Igreja de Lisboa com “os mais vulneráveis” e apontando a solidão urbana como um dos grandes desafios atuais.
“A solidão, particularmente nas grandes cidades, é uma serpente venenosa que, a pouco e pouco, vai desmoralizando e vai corroendo, tornando-se quase que uma força mortífera para quem está sozinho e isolado”, advertiu.
Na mesma celebração foram também empossados como irmãos Marcelo Rebelo de Sousa, antigo presidente da República Portuguesa, e o padre jesuíta Francisco Campos.
LFS/OC
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Nas celebrações dos 520 anos da Irmandade de São Roque e da Misericórdia, o ex-presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, foi também empossado como irmão da instituição, cumprindo uma promessa feita “há 30 anos”. ![]() “É o cumprimento de uma promessa que eu fiz há 30 anos ao doutor Pedro Vasconcelos. Depois ele, infelizmente, deixou-nos e a promessa ficou por cumprir e é cumprida hoje. Por outro lado, é o reconhecimento da importância desta Irmandade das mais antigas de Portugal e das mais antigas de Lisboa. E, finalmente, é um compromisso do futuro, uma vez que se trata de obras de misericórdia que são muito importantes”, disse Marcelo rebelo de Sousa. Em declarações à Agência ECCLESIA, o ex-presidente da República valorizou os 520 anos em prol da misericórdia e da caridade e sempre atenta aos mais vulneráveis. “Nasceu para isso, nasceu na sequência de uma praga, de uma peste e depois foi respondendo a problemas ao longo de muitos séculos. Diferentes, mas todos graves e todos urgentes. Essa é a sua missão e essa é a sua razão de ser também para o futuro”, referiu. Num mundo em convulsões, a misericórdia e a caridade são fundamentais para amenizar conflitos, “sempre fundamentais, relativamente aos vivos, relativamente aos mortos, mas sobretudo aos vivos pensando no presente e pensando no futuro”, acrescentou. |

