Francisco aborda ainda renúncia do arcebispo de Paris, criticando «hipocrisia» na Igreja

Foto: Lusa/EPA

Cidade do Vaticano, 06 dez 2021 (Ecclesia) – O Papa disse hoje que estudos sobre abusos sexuais na Igreja, como os que foram feitos na França ou nos EUA, devem ser lidos com a “hermenêutica da época”.

“Devemos estar atentos às interpretações que são feitas, por setores de tempo. Quando se faz um estudo sobre um tempo tão longo, existe o risco de confundir a maneira de sentir o problema de uma época 70 anos anterior a outra”, indicou, na conferência de imprensa que concedeu ao regressar a Roma, vindo de Atenas.

“Uma situação histórica deve ser interpretada com a hermenêutica da época, não com a nossa”, insistiu.

Francisco considerou como “brutalidade” os abusos que aconteceram há 70 ou 100 anos, destacando que nessa época o comportamento da Igreja Católica passar por “encobrir” os casos.

“Uma atitude que infelizmente é usada também em grande número de famílias, nos bairros. Nós dizemos, não, não está certo encobrir. Mas é preciso sempre interpretar com a hermenêutica da época, não com a nossa”, acrescentou.

O Papa disse que este mês irá falar com os bispos franceses, sobre o relatório publicado por uma comissão independente, em outubro.

Uma Comissão Independente para o Estudo dos Abusos de Menores na Igreja Católica em Portugal foi apresentada no último dia 2.

Francisco foi ainda questionado sobre a renúncia do arcebispo de Paris, D. Michel Aupetit, que aceitou na última quinta-feira, após acusações na imprensa sobre o seu governo pastoral e vida pessoal.

O Papa assinalou que estava em causa um conjunto de comportamentos menos próprios do arcebispo com a sua secretária, mas sustentou que “os pecados da carne não são os mais graves”.

Evocando a figura de São Pedro, primeiro Papa, que chegou a negar Jesus Cristo, Francisco destacou que a comunidade cristã do século I soube aceitar “um bispo pecador”.

“Era uma Igreja normal, estava acostumada a sentir-se sempre pecadora, todos, era uma Igreja humilde. Vemos que a nossa Igreja não está habituada a ter bispo pecador”, apontou.

O Papa criticou o impacto da “maledicência” na vida das pessoas, sublinhando que foi esta que impediu o arcebispo de Paris de continuar a sua missão, considerando a situação “uma injustiça”.

“Aceitei a renúncia, não sobre o altar da verdade, mas sobre o altar da hipocrisia”, lamentou.

OC

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