Manuel de Lemos pede que apoios cheguem ao setor social e sugere ajuda do Exército na «desinfeção dos lares»

Foto: Lusa

Lisboa, 26 mar 2020 (Ecclesia) – O presidente da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) manifestou à Agência ECCLESIA a sua preocupação com a falta de “equipamentos de proteção individual”, depois de ter conversado com Marcelo Rebelo de Sousa, esta quarta-feira, por videoconferência.

“Quis transmitir ao presidente da República a nossa preocupação, o nosso desespero por não termos EPI, precisamos de poder tomar conta dos idosos, cuidar dos idosos e o ponto mais fundamental são os trabalhadores, os colaboradores, as equipas”, disse Manuel Lemos à Agência ECCLESIA.

O responsável explicou que em Lisboa, no Porto e nos grandes centros urbanos “é possível” ter mais colaboradores, com os voluntários, com a Cruz Vermelha, o Exército, mas “no interior, em Resende há aqueles trabalhadores e não há equipa de substituição”.

O Lar e Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Resende, no Distrito de Viseu, tinha 10 casos confirmados de utentes infetados com o novo coronavírus.

Precisamos que todos nos articulemos, privados, públicos, sociais, isto é um problema da sociedade toda. Que nos façam chegar esses apoios, que nos ajudem na desinfeção dos lares com o Exército para minorarmos o mais possível”.

Manuel Lemos destacou ainda “coisas boas”, como os planos de contingência, na prevenção da Covidd-19.

“Os equipamentos residenciais, dos mais diversos tipos, que as Misericórdias têm ultrapassa os 700. Temos um problema grave num, que é Resende, mas estamos a conseguir limitar porque soubemos fazer planos de contingência, organizar o pessoal, e mais de uma semana antes do Estado ter decretado o fim das visitas aos lares já o tínhamos feito na União das Misericórdias”, explicou Manuel Lemos.

Marcelo Rebelo de Sousa, teve reuniões presenciais e por videoconferência com o presidente da UMP e o presidente da Confederação Nacional de Instituições de Solidariedade Social (CNIS), padre Lino Maia.

Manuel Lemos considera que o setor social tem mais de 40% dos trabalhadores em casa, “por causa do estado de emergência”, e acompanham a “preocupação do Estado de reabrir creches e infantários” que têm junto aos equipamentos, para “permitir que os trabalhadores regressem e acolher os filhos” das pessoas que exercem “funções vitais na comunidade e também estão muitos em casa”.

Temos casos extraordinários de pessoas que se metem dentro da unidade e ficam com os idosos e esse foi um programa que desafiamos. E vamos começar a dividir as equipas por períodos de 15 dias, para se tivermos um problema ser substituído”, acrescentou, explicando que têm um sistema de salas de desinfeção para os trabalhadores.

Manuel Lemos destacou também das “coisas boas” que as Misericórdias têm “o sentimento de missão e dos valores” que representam e a sua ligação à comunidade, mesmo sendo “a insegurança uma preocupação geral perante um fenómeno novo que ninguém conhece”.

“É bom que o setor social português dê provas de que vamos conseguir melhores resultados do que os espanhóis e do que os italianos e estamos a organizarmo-nos para isso. Deus nos ajude nessa matéria”, conclui.

HM/CB/OC

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