Professora universitária e coordenadora do Clube de Leitura da paróquia de São Tomás de Aquino deixa sugestões de livros para crianças, jovens e adultos

Lisboa, 26 mar 2020 (Ecclesia) – A coordenadora do Clube de Leitura da paróquia de São Tomás de Aquino, em Lisboa, sugere alguns livros para que cada pessoa possa encontrar descanso, neste tempo de isolamento social.

“Ninguém precisa de ideias para fazer em casa mas, precisa sim, de momentos de descanso, de separação entre o ritmo das notícias e preocupações, para encontrar o silêncio e descanso”, afirma à Agência ECCLESIA a professora das disciplinas de Língua Portuguesa e Cultura, da Universidade Católica Portuguesa.

A leitura, sendo uma forma de “cultura, lazer, aprendizagem, estudo e reflexão” ajuda “a pensar”, numa altura em que se necessita de tempo “para pensar bem”.

“Vivemos o paradoxo de precisar de uns dos outros e não podermos estar juntos. Há pessoas que estão fisicamente mais sozinhas e outras que estão mais juntas do que o habitual. Precisamos de mais informação de qualidade, de leitura exigente para obter, também, um produto melhor”, indica.

A experiência do Clube de Leitura nasceu há quatro anos e desde então, os participantes, procuram convidar os autores para “encontros amigáveis à volta de livros”, que abrem a “novos mundos”.

Este ano, os participantes são convidados a dedicar-se a livros sobre as periferias.

“A primeira proposta é ler e desfrutar, ler como entenderem e deixarem-se tocar”, enuncia Inês Espada Vieira.

«Deixar Aleppo», de Manuela Niza Ribeiro; «O meu irmão», de Afonso Reis Cabral; «Furriel não é nome de pai», de Catarina Gomes; «Preciosa», de Nelson Nunes; «A maquina de fazer espanhóis», de Valter Hugo Mãe.

“Há literatura boa e má, mas a experiência da leitura não pode ser elitista. O importante é a relação afectiva e de disciplina, o espaço para si que a literatura nos convida.Um leitor que gostou de um livro, que não estão no cânone, certamente vai procurar outra coisa. E todos podemos tirar algo”, reflete Inês Espada Vieira.

Reconhecendo que estar em casa comporta muitos afazeres, a professora afirma a importância de partilhar com os mais novos o gosto pelos livros.

“Sabemos que não é fácil: os pais procuram ler aos filhos desde pequenos, hoje não há essa dúvida. Mas há um momento em que a criança ou se tornou leitora ou começa a recusar os livros”, indica.

Nesse sentido, Inês Espada Vieira deixa uma sugestão a pensar no “público infantil”: o livro «Eu», de Philip Waechter, que personifica num urso a necessidade de as pessoas precisarem umas das outras.

Para os mais jovens, «O Haiku das Palavras Perdidas», Andrés Pascual, um romance que se passa no Japão, e começa no dia da bomba atómica, em Nagasáqui.

Para os mais velhos, outra sugestão, de Ana Margarida Carvalho, «O Gesto que Fazemos para Proteger a Cabeça».

Inês Espada Vieira deixa ainda outra sugestão, para acompanhar através do facebook, «O Bode Inspiratório», constituído por escritores voluntários que “apresentam a cada dia um capítulo de um folhetim que dizem, pode vir a ser o grande livro destes dias de isolamento social”.

“São apenas sugestões… Os clássicos, guardados na prateleira são sempre uma boa leitura e esta é uma boa altura para os revistar”, finaliza

PR/LS

 

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