«Precisamos de reforçar os nossos laços de solidariedade e de humanidade» – Padre Jardim Moreira

Foto: Lusa

Porto, 26 mar 2020 (Ecclesia) – O presidente da Rede Europeia Anti Pobreza em Portugal (EAPN) apelou ao “imperativo de proteger os mais vulneráveis” face à do coronavírus Covid-19, num documento enviado ao Governo onde manifestou preocupações quanto ao impacto socioeconómico desta pandemia.

“A par com as preocupações de saúde, precisamos de reforçar os nossos laços de solidariedade e de humanidade, pois esta não é apenas uma luta individual, mas sim uma luta coletiva que deve ser vencida em conjunto”, afirma o padre Jardim Moreira.

No documento enviado à Agência ECCLESIA, o sacerdote da Diocese do Porto diz acreditar que a pandemia “será travada, que será encontrada uma vacina”, mas os impactos económicos e sociais “vão demorar muito mais tempo a serem solucionados e os mais vulneráveis estão muito mais expostos”.

A EAPN Portugal, uma organização que defende “a luta contra a pobreza e exclusão social”, no contexto da pandemia do coronavírus Covid-19 está “particularmente preocupada” com os grupos sociais mais vulneráveis e lembra que residem em território nacional “mais de 2 milhões de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social” e cerca de 1,7 milhões encontram-se em risco de pobreza monetária.

“Esta população encontra-se ainda mais vulnerável aos cortes no rendimento familiar, às situações de desemprego, às consequências de uma crise económica que poderá seguir à crise pandémica, assim como uma maior dificuldade de acesso a cuidados de saúde fora do SNS ou outros recursos”, desenvolve no documento enviado ao Governo português.

Neste contexto, pede também atenção para a “especial vulnerabilidade à pobreza” das famílias monoparentais, onde o rendimento do agregado familiar está “fortemente condicionado pela existência de apenas um elemento adulto”.

No documento enviado ao Governo é pedida também atenção aos idosos que são “um grupo fortemente vulnerável à letalidade do Covid-19”, e “sem capacidade financeira” estão “ainda mais dependentes” de um Serviço Nacional de Saúde que “consiga responder às suas doenças cronicas e agudas”.

A Rede Europeia Anti Pobreza em Portugal acredita que se vive um momento de “priorizar o bem-estar de todas as pessoas”, e principalmente tomar medidas que “protejam os mais vulneráveis”, por isso, apresenta propostas sociais, como o “açambarcamento” de bens ser “contida também por parte dos supermercados e das grandes superfícies comerciais”, a “suspensão de despejos” por falta de pagamento de hipotecas e do pagamento de rendas, “se a causa for atribuída ao efeito económico desta crise”, e propostas de proteção no emprego, como “não permitir despedimentos tendo por base as consequências económicas do vírus, principalmente de mulheres”.

A EAPN Europa pede também ao Conselho Europeu para “proteger os mais vulneráveis” dos impactos do Covid-19, considerando que a União Europeia e os Estados membros precisam “fortalecer os serviços públicos de saúde, os sistemas de proteção social, as instituições, os sistemas de rendimento mínimo”, para reduzir as desigualdades, nas vésperas do Conselho de Chefes de Estado, que se realiza esta quinta-feira, 26 de março.

A European Anti Poverty Network é a “maior rede europeia de redes nacionais, regionais e locais de organizações não-governamentais, bem como de organizações europeias “ativas na luta contra a pobreza”, atuando em 31 países, e foi fundada em 1990, em Bruxelas.; Em Portugal foi criada a 17 de dezembro de 1991.

CB

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