CNIS está a criar «Equipas de Intervenção Rápida» em «todos os distritos»

Foto: Lusa

Porto, 24 mar 2020 (Ecclesia) – O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) considerou hoje “manifestamente insuficiente” o reforço do valor dos Acordos de Cooperação, anunciado pelo Governo para apoiar o setor Social na pandemia do Covid-19.

“Percentualmente, são distribuídos equitativamente por todos os acordos de cooperação e em todas as Instituições há grandes constrangimentos financeiros e, particularmente nesta conjuntura de emergência as valências para idosos têm um muito significativo aumento de despesa”, disse o padre Lino Maia em declarações à Agência ECCLESIA.

O Governo criou uma equipa de acompanhamento permanente para dar resposta aos problemas que possam surgir nos lares de idosos e anunciou um reforço de 59 milhões de euros e uma linha de financiamento de 160 milhões para o setor social.

O executivo português informou ainda que os filhos dos funcionários das IPSS vão poder frequentar “escolas abertas em regime especial”, para além das crianças, filhos dos trabalhadores da Saúde e da Segurança.

O padre Lino Maia destaca também a criação de uma “equipa de acompanhamento permanente da situação” ERPI (DGS, ISS, ANEPC e Autarquias) que poderá ser uma “instância importante de recurso das Equipas de Intervenção Rápida que a CNIS está a criar em todos os distritos”.

O presidente da CNIS assinala que “todas as medidas são importantes”, mas sublinha que esta situação é  “apenas conjuntural”, pelo que deverá ser revista assim que possível.

“Considero importante a satisfação dos acordos na totalidade acordada, independentemente das oscilações de frequência o que permite encarar com relativa esperança a manutenção dos postos de trabalho e a remuneração dos trabalhadores”, desenvolveu.

Agência Ecclesia/MC

O Governo português anunciou uma medida de ‘apoio à manutenção dos postos de trabalho’ e o padre Lino Maia salienta a importância de tudo o que possa contribuir para essa manutenção, mesmo com algumas valências tendo a “atividade suspensa”.

Segundo o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade a conjuntura de emergência originada pelo Covid-19 “ainda não ocasionou a falta de trabalhadores”, mas teme que, os próximos tempos “reservem muitas preocupações nesse sentido”.

O padre Lino Maia refere que as Instituições de Solidariedade “estão atentas e atuantes” para que os idosos não fiquem abandonados, “pelo menos cerca de 200 mil pessoas em Portugal estão a ser acompanhados pelas IPSS”, e para além dos Lares/ERPI em funcionamento pleno, “estão a apoiar os utentes de Centro de Dia e de Centro de Convívio nas casas”.

Sempre, mas nestas circunstâncias é que se pode ver como é importante esta rede de solidariedade em Portugal, muito expressão de uma cultura judaico-cristã, e que não há nada que se lhe assemelhe em outra parte qualquer do mundo”, desenvolveu, considerando que a Igreja Católica em Portugal está “a dar um bom exemplo”, como a Diocese de Viana do Castelo que anunciou esta segunda-feira a abertura de portas aos funcionários das IPSS para que possam pernoitar e evitar a propagação do Covid-19 em suas casas.

O sacerdote da Diocese do Porto que já tinha alertado que as Instituições de Solidariedade precisavam de equipamentos de proteção individual – máscaras, luvas, gel, aventais –, reafirmou hoje que “são necessários muitos e muitos Kits de segurança”, contabilizando que estão em funcionamento “quase 900 Lares, com apoios que prestam também nos domicílios”.

CB/OC

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