Portalegre-Castelo Branco: Bispo defende que a liberdade religiosa precisa de ser defendida «em nome da humanidade»

D. Pedro Fernandes participou na apresentação de relatório da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, que decorreu este fim de semana na diocese

Foto: Fundação AIS

Castelo Branco, 09 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo de Portalegre-Castelo Branco defendeu, este sábado, que a “liberdade religiosa precisa de ser defendida e preservada em nome da fé cristã e também, naturalmente, em nome da humanidade”.

“Diz-nos respeito por aquilo que se passa longe, mas também nos diz respeito por aquilo que se passa perto. Porque o que está em causa na liberdade religiosa é, no fundo, a própria liberdade. A liberdade a todos os níveis, e o respeito pelas pessoas, enquanto sujeitos de liberdade, também a todos os níveis”, afirmou D. Pedro Fernandes, na Sé Catedral de Castelo Branco.

Depois de Viana do Castelo, Braga, Porto, Évora, Lisboa e Setúbal, também esta diocese recebeu a apresentação do Relatório da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, contando, além da presença do bispo local, com a participação da diretora do secretariado nacional da organização, Catarina Martins de Bettencourt.

D. Pedro Fernandes agradeceu a presença em Castelo Branco da equipa da AIS e a oportunidade de se debater e refletir sobre o tema do documento, que sublinha que “está no coração da fé cristã, pois não há fé cristã sem valorização da liberdade e do exercício da liberdade”.

O bispo destacou a importância de se falar abertamente sobre esta questão, que diz respeito a todos no planeta, mesmo aos que vivem em países, como Portugal, onde não ocorrem incidentes de gravidade.

Todas as religiões têm “alguns valores transversais, como a defesa da paz, a defesa e a valorização da compaixão”, referiu, lembrando a realização da sessão de evocação do sétimo aniversário da Declaração sobre a Fraternidade Humana, de Abu Dhabi, promovida pela Conferência Episcopal Portuguesa a 3 de fevereiro.

Segundo D. Pedro Fernandes, o documento assinado conjuntamente pelo Papa Francisco e pelo grande imã de Al-Azhar é “importantíssimo” e reafirma o compromisso do islão e do cristianismo na defesa da liberdade de culto.

O bispo de Portalegre-Castelo Branco salientou que a declaração enche a todos de esperança, mas também obriga a uma vigilante responsabilidade.

“Precisamos de rezar por todos aqueles que sofrem violência, e eu recordo que a violência não é má por ser contra nós. A violência é má por ser violência. E nós estamos contra a violência porque ela é, essencialmente, anti-humana, ela é desumana”, realçou.

Na intervenção, D. Pedro Fernandes lembrou ainda que o que está em causa na perseguição religiosa “é, no fundo, a não aceitação das diferenças, a intolerância, a incapacidade de integrar as diversidades que compõem os tecidos sociais e as comunidades humanas e a pretensão de se impor um modelo sobre os outros modelos”.

Falando em intolerância, o bispo recordou um episódio recente denunciado pela comunidade religiosa a que pertence sobre um vídeo anti Islão publicado nas redes sociais “por um líder de um partido de extrema-direita”.

A publicação mostra um muçulmano a rezar numa rua de Lisboa que, segundo D. Pedro Fernandes, estava a exercer “a sua liberdade”, frente ao prédio onde o bispo morou “até há quatro meses” e “que é a casa dos espiritanos”.

O bispo rejeita que tal ação represente uma ação de desrespeito e de agressão à identidade cristã e à identidade nacional e até de desrespeito à congregação.

D. Pedro Fernandes lembra que a Província Portuguesa do Espírito Santo “de imediato” veio a público “desmentir e desautorizar completamente este tipo de discurso”, porque “incentiva o ódio, incentiva a discriminação e promove pressupostos que são, efetivamente, falsos”.

No final do discurso, o bispo diocesano apelou à “militância na defesa dos direitos humanos, na defesa dos valores cristãos mais fundamentais que nós realmente precisamos de preservar e de promover”.

Aproximadamente meia centena de pessoas juntou-se na sessão em Castelo Branco que terminou com a celebração eucarística na Sé e ficou marcada pela assinatura, por praticamente todos os presentes, da Petição que a Fundação AIS lançou também em novembro passado, a nível internacional, em defesa da liberdade religiosa.

O documento é dirigido ao secretário-geral da ONU, António Guterres; ao Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk; e ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, além de líderes de governos democráticos, embaixadores e representantes diplomáticos e a todos os membros da Assembleia Geral das Nações Unidas.

No final do encontro, em declarações ao programa “Igreja no Mundo”, da FAIS, o bispo de Portalegre-Castelo Branco referiu que tanto a “Igreja como a sociedade portuguesa deviam estar muito gratas à Ajuda à Igreja que Sofre pelo trabalho que desenvolve, no sentido de sensibilizar e de promover o apoio a vários níveis a todas as comunidades fragilizadas, perseguidas, discriminadas, e que enfrentam grandes dificuldades”.

Há “muitíssimos cristãos que sofrem este tipo de perseguição ou discriminação” no mundo, alertou.

LJ/OC

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