Pavia: Leão XIV apelou à «participação ativa de todos» na sociedade, movidos «pelo bem comum e não por interesses particulares»

Papa lembrou exemplo de Santo Agostinho e a sua «saudável inquietude», numa cidade próspera «não só em bens, mas também em virtudes»

Foto EPA/Lusa, Papa Leão XIV na Piazza Vittoria, em Pavia

Pavia, Itália, 20 jun 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV encontrou-se hoje com os habitantes de Pavia, uma cidade próspera “não só em bens, mas também em virtudes”, e apelou todos à “participação ativa” na sociedade, movidos “pelo bem comum e não por interesses particulares».

“É necessário renovar a participação ativa de todos na vida da sociedade”, afirmou o Papa na Piazza Vittoria da cidade de Pavia, onde se encontra em visita esta tarde.

Leão XIV lembrou que “a cidade é uma para todos, é singular e plural”, onde os “os cidadãos são sempre concidadãos”, afirmando que a “boa cidadania sabe cultivar a concórdia através do diálogo e do encontro construtivo entre as pessoas e as culturas que animam Pavia”.

“Perante formas de degradação e de analfabetismo cívico, somos chamados a partilhar linguagens de dedicação e de serviço, que preservam praças, parques e ruas como locais de encontro por excelência”, referiu.

Hoje convido cada um de vós a repetir no vosso íntimo: interessa-me a nossa cidade! Interessa-me a saúde de quem está ao meu lado, interessa-me a beleza do lugar onde vivo, interessa-me a qualidade de vida nos ambientes onde trabalho e onde passo o meu tempo livre”.

O Papa referiu-se também à “ilustre tradição académica” da cidade, afirmou que promover as ciências “significa promover o homem, que deve permanecer sempre protagonista das suas próprias investigações” e lembrou o exemplo de Santo Agostinho.

“A sua figura, ao mesmo tempo que encarna o diálogo árduo e constante entre fé e razão, testemunha a sua pertença recíproca”, afirmou o Papa.

Leão XIV sublinhou que “não se pode acreditar sem pensar, nem é possível esclarecer as questões mais elevadas da razão sem fé”, acrescentando que “a razão humana questiona e projeta”, e “não se fecha em lógicas de lucro ou de domínio, mas descobre novas formas de cuidar de si própria e do mundo”.

Na medida em que acredita, o ser humano não se resigna ao fim, a um fragmento histórico que termina com a morte: é precisamente a fé que nos lembra que não somos súbditos de um destino anónimo, sustentando, pelo contrário, a certeza de que Deus é criador e salvador da vida”.

O Papa afirmou que “cada conhecimento corresponde uma forma de cuidado”, seja na medicina, na jurisprudência ou na filosofia.

“Graças ao vosso empenho, Pavia é próspera, não só em bens, mas também em virtudes: honrai sempre a dignidade de cada vida humana”, afirmou o Papa.

Na chegada à Piazza Vittoria, o Papa saudou os presentes, nomeadamente os peruanos e todos os sul-americanos, apelando à necessidade de viver em paz.
“Viva Pavia”, afirmou o Papa, pedindo aos jovens para construir “a autêntica amizade, em pessoa, presente, todos presentes”.

“Que sejais sempre uma comunidade viva, de fé, de esperança e de amor”, afirmou.

O Papa foi acolhido pelo presidente da Câmara Municipal de Pavia, Michele Lissia, e do bispo da diocese D. Corrado Sanguineti.

PR

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