Patriarca de Lisboa afirmou no VIII Encontro Latino-americano de Espiritualidade Monfortina, no Brasil, a atualidade da proposta de consagração a Jesus por Maria como atualização do batismo

São Paulo, 25 jul 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa afirmou no II Encontro Latino-Americano de Espiritualidade Monfortina, em São Paulo, no Brasil, que a consagração a Jesus por Maria é uma proposta para viver a “radicalidade a graça batismal” e tem por objetivo a missão.
“Somos consagrados não para ficarmos fechados numa espiritualidade intimista, mas para sermos enviados. A pertença total a Cristo gera a disponibilidade total para a missão”, afirmou D. Rui Valério, que pertence à congregação dos Missionários Monfortinos.
O VIII Encontro Latino-Americano de Espiritualidade Monfortina decorre entre os dias 19 e 26 deste mês de julho, na Paróquia de Santa Rosa Lima, em São Paulo, e assinala também os 60 anos dos monfortinos no Brasil.
Numa conferência sobre o tema “A Consagração Total a Jesus por Maria: Dom e missão”, enviada à Agência ECCLESIA, o patriarca de Lisboa afirmou que hoje é necessário “recordar o Batismo e o dom da vida nova”, mais do que nos tempos de São Luís Maria Monfort, fundador da congregação.
“Muitos batizados vivem como se nunca tivessem recebido esta graça. Muitos cristãos perderam a memória da sua identidade. Muitos vivem sem consciência da dignidade que lhes foi dada. Por isso, a espiritualidade monfortina pode ser hoje um dom particular para a nova etapa evangelizadora da Igreja”, afirmou.
D. Rui Valério lembrou que, na atualidade, “os desafios são grandes”, no contexto de uma “numa cultura marcada pelo esquecimento de Deus, pela fragilidade da transmissão da fé, pela solidão, pela dispersão interior, pela perda do sentido do pecado e pela confusão sobre a identidade humana”.
Vivemos num tempo em que muitos procuram saber quem são. Nunca se falou tanto de identidade e talvez nunca tantos tenham vivido tão desorientados. O homem contemporâneo conhece cada vez mais o funcionamento do mundo, mas muitas vezes conhece cada vez menos o sentido da própria vida. Multiplicou os meios, mas perdeu os fins. Ganhou velocidade, mas perdeu direção. Aumentou a comunicação, mas enfraqueceu a comunhão. Tem muitas escolhas, mas pouca luz para escolher bem”.
O patriarca de Lisboa, missionário monfortino, afirmou que a espiritualidade da congregação não conduz “a uma piedade sentimental” ou uma espiritualidade desligada da vida, mas “conduz-nos ao centro da fé, ao coração da Igreja, à fonte do Batismo” e à missão que é confiada a cada batizado.
São Luís Maria Montfort propôs um método de consagração a Jesus por Maria como “forma de viver plenamente as promessas do Batismo” e afirmação de que tudo pertence a Deus e Maria “conduz de modo seguro ao Coração de Jesus”.
A consagração de acordo com o método montfortino propõe 30 dias de preparação, indicando momentos comunitários de consagração nos dias 25 de março, quando se assinala a Solenidade da Anunciação do Senhor, 15 de agosto, que celebra a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, e 8 de dezembro, Dia da Imaculada Conceição.
No VIII Encontro Latino-americano de Espiritualidade Monfortina, D. Rui Valério sublinhou que “a consagração a Jesus por Maria não acrescenta uma realidade paralela ao Batismo”, mas ajuda “a viver com maior consciência, radicalidade e fecundidade” o Batismo.
O patriarca de Lisboa lembrou o “caminho de conversão, transformação e libertação” proposto por Luís Maria Monfort, que apresentou em quatro etapas: o conhecimento de si próprio, o conhecimento da Virgem Maria, o conhecimento de Jesus Cristo e a consagração total a Jesus por Maria.
PR
