Organização católica sinalizou 56 crianças órfãs a viver em abrigos sobrelotados

Roma, 03 set 2026 (Ecclesia) – A rede internacional da Cáritas lançou um apelo urgente à solidariedade para com o Nepal, denunciando as consequências de inundações devastadoras que mataram mais de mil pessoas no país asiático.
O secretário-geral da instituição católica sublinhou que muitas nações prosperaram historicamente através de sistemas baseados no carbono e exigiu que as grandes potências assumam a sua “responsabilidade pelo caos e danos” climáticos globais.
Em nota enviada à Agência ECCLESIA, Alistair Dutton lamentou a tragédia provocada pelo colapso de uma barragem glaciar no sistema do rio Bhote Koshi, advertindo que a humanidade tem o dever coletivo de proteger a “casa comum”.
As cheias que atingiram há uma semana o Nepal, junto à fronteira com a China, provocaram 1114 mortos e deixaram 3916 pessoas desaparecidas, segundo um balanço provisório divulgado esta quarta-feira pelas autoridades de gestão de emergências.
Do lado chinês, a imprensa estatal deu conta de 16 mortos e 546 desaparecidos na região do Tibete.
A diretora executiva da Cáritas Nepal, irmã Cecilia Durga Shrestha, assinalou que as comunidades dos Himalaias enfrentam perigos extremos num território que “contribui com menos de 0,1%” para as emissões globais de gases com efeito de estufa.
A organização humanitária encontra-se no terreno a distribuir bens essenciais através de meia centena de cozinhas comunitárias nas áreas mais afetadas do distrito de Rasuwa.
A coordenadora do Departamento de Gestão de Catástrofes da delegação nepalesa, Arpana Karki, alertou que as “reservas de alimentos estão a esgotar-se” junto das famílias de acolhimento que abrigam milhares de deslocados.
As chuvas intensas e a destruição de infraestruturas rodoviárias estão a bloquear o acesso das equipas de resgate a dezenas de localidades, isolando povoações que apenas podem ser alcançadas de helicóptero.
A Cáritas sinalizou 56 crianças órfãs a viver em abrigos sobrelotados e propôs às autoridades locais a criação de espaços de aprendizagem temporários durante o processo de reconstrução.
OC
