Apelo aos líderes da UE exige plano para abandono imediato dos combustíveis fósseis

Bruxelas, 04 set 2026 (Ecclesia) – A Cáritas Europa uniu-se a mais de 200 organizações da Igreja, sociedade civil e empresas para exigir aos líderes da União Europeia a criação de um plano concreto de abandono dos combustíveis fósseis.
“Instamos que utilize o seu próximo discurso para anunciar o lançamento de um relatório abrangente, independente e com base científica, com um objetivo claro: fazer com que esta crise dos combustíveis fósseis seja a última da Europa”, apelaram os signatários numa missiva dirigida a Ursula von der Leyen.
O consórcio alertou que a população está a pagar duramente pela inércia, denunciando que a segunda crise no setor em apenas quatro anos acrescentou “mais de 50 mil milhões de euros à fatura energética da Europa para famílias e empresas”.
O texto evidenciou o trágico “custo humano e económico da crise climática”, lembrando que as sucessivas ondas de calor provocaram secas severas e incêndios devastadores, estimando-se que só as temperaturas extremas de junho tenham reclamado “pelo menos 14 mil vidas na Europa”.
As instituições subscritoras recusaram a ideia de um acaso incontrolável, argumentando que a dependência deste modelo “tem minado repetidamente a prosperidade da Europa”, deixando os cidadãos expostos a “choques de preços e decisões geopolíticas tomadas noutros locais”.
O plano de saída proposto pelas organizações aponta cinco prioridades, exigindo que a Comissão identifique o caminho “mais rápido e competitivo” apoiado em soluções comprovadas, recusando o financiamento de “tecnologias exageradas e não comprovadas que correm o risco de atrasar a transição”.
A rede católica e os restantes parceiros pediram o alinhamento de “cada euro com a saída” dos recursos fósseis para garantir uma transição justa que “não deixe ninguém para trás”, prestando o devido suporte governamental a “famílias, trabalhadores, empresas e regiões vulneráveis”.
O documento defende a urgência de assumir a natureza como “aliada e primeira linha de defesa na ação climática”, apelando ao desbloqueio de fundos para proteger “florestas, zonas húmidas e solos que absorvem carbono” por uma fração do custo das alternativas tecnológicas de engenharia.
A carta conjunta assumiu que a adoção destas recomendações no discurso sobre o Estado da União pode fazer do atual contexto um “ponto de viragem”, capaz de conceder à população europeia um novo sistema energético que seja simultaneamente “acessível, renovável, seguro e local”.
OC
