Dia Mundial do Migrante e do Refugiado foi celebrado na Paróquia da Amora, Diocese de Setúbal, numa comunidade que «constrói pontes» diárias entre povos e culturas diversas

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Amora, 27 set 2021 (Ecclesia) – A diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM) disse à Agência ECCLESIA que a celebração do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado no início do ano pastoral para “tantas dioceses”, na Igreja Católica, significa “colocar o tema na agenda”.

“Importa reforçar que o Papa Francisco ao propor que celebrássemos o dia do migrante no final de setembro, início do ano pastoral para tantas dioceses, tem como objetivo colocar este tema na agenda e para sejamos capazes de construir este ‘nós’ maior”, indicou, no final da celebração deste domingo, na Paróquia da Amora, Diocese de Setúbal.

A comunidade, que acolher a celebração, entende que é sua missão “construir pontes para ter comunhão, encontro entre os vários países, culturas e povos”.

“Não queremos que existam diferenças em povos e culturas. (Queremos) eliminar as fronteiras e muros que dia após dia nós estamos a perceber que o mundo constrói, para dividir sempre mais”, explicou à Agência ECCLESIA o padre Francesco Mazzone, pároco na Amora, que presidiu à Eucaristia.

Desde a criação da paróquia, cuja responsabilidade pastoral está atribuída aos missionários Scalabrinianos, cujo carisma é o acompanhamento à população migrante, que este trabalho entre diferentes povos e culturas é feito.

Foto: Agência ECCLESIA/HM

“Estamos a tentar. Conseguimos? Não sei quanto, mas tentamos, trabalhando a cada dia, por uma comunhão entre a diversidade, e para fazer desta comunidade uma só comunidade, onde não importa o país de origem, a cultura, mas colocando tudo em comum”, conta o padre Francesco Mazzone.

A diversidade “torna a comunidade mais rica”, sublinha o responsável, e capaz de “abrir as portas da sua igreja, da sua comunidade, para acolher sempre mais os irmãos que chegam todos os dias”.

Eugénia Quaresma fala, por sua vez, na preocupação “pedagógica” do Papa Francisco de conduzir as pessoas a um “aproximar” da realidade migratória, para um “envolvimento e construção do mundo”.

A responsável valoriza a celebração, inspirada para “construir pontes”.

“É importante a proximidade, sentirem que são cuidados pela Igreja local, pela Igreja portuguesa, que não são esquecidos, que queremos melhorar cada vez mais esta experiência e aprofundar esta iniciativa”, explica.

Foto: Agência ECCLESIA/HM

a diretora da OCPM fala ainda nos encontros que na diáspora acontecem e que reforçam o sentido de comunidade, como “a celebração de Nossa Senhora de Fátima, que é promoção de diálogo e encontro entre comunidades estrangeiras, nos países de acolhimento”.

“Esta riqueza não pode ser perdida e este dia serve para isso”, sublinha.

Sobre a realidade que “agora bate à porta” com os refugiados afegãos, Eugénia Quaresma sublinha o trabalho necessário de “sensibilização das comunidades cristãs para o acolhimento”, como vista à preparação de “instituições anfitriãs”, mas não esquece “os que estão longe” e elogia as instituições cristãs que continuam no terreno.

“Também (acompanhamos) os que estão longe, como os deslocados internos em Moçambique. Sabemos que é um trabalho de reconstrução que exige e que podemos colaborar nesta ajuda humanitária. Existem campanhas a ser lançadas pela Plataforma de Apoio aos Refugiados, pela Fundação Fé e Cooperação, pela Cáritas, instituições da Igreja que estão no terreno e que procuramos apoiar”, valoriza.

HM/LS

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