Francisco sublinha impacto da pandemia de Covid-19 e pede a mesma atenção para doenças como a malária

Cidade do Vaticano, 27 set 2021 (Ecclesia) – O Papa denunciou hoje no Vaticano as “fortes desigualdades” no acesso à saúde, a nível mundial, pedindo o mesmo investimento feito no combate à Covid-19 para doenças como a malária.

“Pensemos no impacto devastador de certas doenças como a malária e a tuberculose: as precárias condições de saúde e higiene causam milhões de mortes evitáveis no mundo todos os anos”, disse, em audiência os participantes da Assembleia Plenária da Academia Pontifícia para a Vida, que decorre até quarta-feira, sobre o tema da ‘Saúde Pública numa perspetiva global. Pandemia, Bioética, Futuro’.

Francisco sustentou que, sem uma superação dessas desigualdades globais, “nem todas as vidas são iguais e a saúde não é protegida para todos da mesma forma”.

“O compromisso com uma distribuição equitativa e universal das vacinas é bem-vindo, mas levando em conta o campo mais amplo em que os mesmos critérios de justiça são exigidos, para as necessidades de saúde e promoção da vida”, acrescentou.

A intervenção evocou milhões de pessoas que vivem em “graves condições”, por todo o mundo, perante a indiferença de tantos.

O Papa recordou os episódios recentes, quando governantes ou responsáveis de comunidades pediam aos moradores em barracas medidas de higiene ou de isolamento, impossíveis de concretizar nesses locais.

Aprenderemos assim a não projetar as nossas prioridades nas populações que vivem noutros continentes, onde outras necessidades são mais urgentes; onde, por exemplo, não faltam apenas vacinas, mas a água potável e o pão de cada dia”.

Depois da pandemia, sublinhou Francisco, é “fundamental refletir com calma para aprofundar o que aconteceu e vislumbrar o caminho para um futuro melhor para todos”.

O discurso realçou a importância de sistemas gratuitos, falando num desafio “muito grande” para que a saúde não seja apenas para quem a pode pagar.

O Papa convidou os membros da Academia Pontifícia para a Vida a ajudar os homens e as mulheres de hoje a redescobrir “como primário o direito à vida desde a conceção até o seu fim natural”.

“Somos vítimas de uma cultura do descarte: das crianças que não queremos receber, com a lei do aborto”, indicou, denunciando esta prática como “um homicídio”.

Francisco advertiu ainda para o “descarte dos idosos”, com práticas de eutanásia.

OC

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