D. Rui Valério presidiu à Missa dominical no Santuário de Fátima, que acolheu 52.º Encontro Nacional dos Convívios Fraternos

Fátima, 06 set 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa presidiu hoje à Missa de encerramento do 52.º Encontro Nacional dos Convívios Fraternos, no Santuário de Fátima, apelando a uma atitude missionária e de serviço à unidade, na Igreja e na sociedade.
“Não basta estarmos juntos para estarmos unidos, e não basta fazermos muitas coisas para estarmos verdadeiramente ao serviço. A unidade cristã não nasce apenas da simpatia, da afinidade ou da amizade; nasce de Cristo”, alertou D. Rui Valério na homilia da celebração dominical, que reuniu milhares de pessoas no recinto de oração da Cova da Iria.
O presidente da celebração advertiu a assembleia que “o serviço cristão não é ativismo, nem protagonismo, nem mera disponibilidade humana”.
“O cristão não pode viver fechado na sua salvação individual, como se a fé fosse apenas um espaço privado de conforto”, apontou, acrescentando que “quem encontrou Cristo recebe também uma responsabilidade pelos irmãos”.
Se Cristo foi encontrado, então alguma coisa tem de mudar na maneira como se vive, como se ama, como se serve e como se olha o mundo. A experiência cristã só é completa quando se torna envio.”
O patriarca de Lisboa refletiu sobre o lema do encontro deste ano, ‘Unidos para Servir’, assinalando a importância de combater a indiferença, a fim de garantir que “ninguém fique sozinho”.
Abordando o Evangelho do dia centrado na correção fraterna, D. Rui Valério pediu “uma fraternidade que tem a coragem da verdade”, esclarecendo que essa frontalidade deve ser “uma verdade dita para salvar a relação, nunca para destruir o outro”.
“O missionário não é alguém que fala de cima para baixo; é alguém que se aproxima”, apontou o patriarca, destacando que a evangelização autêntica exige “a capacidade de escutar” e “a fidelidade de quem permanece quando seria mais fácil partir”.
A intervenção encerrou-se com um apelo direto ao trabalho missionário, exortando os cristãos a não terem medo de partir porque “a missão começa sempre com rostos concretos”, seja perante um jovem que “perdeu o sentido da vida”, uma família que “precisa de apoio” ou alguém que se “afastou da fé”.
A” comunidade cristã não existe para se contemplar a si própria, mas para se deixar enviar. Uma Igreja que apenas se reúne, mas não parte, corre o risco de se tornar estéril. Uma comunidade que apenas se protege, mas não serve, esquece o Evangelho”, apontou.
A 52.ª edição do Encontro Nacional dos Convívios Fraternos reuniu, desde sábado, participantes de várias dioceses na Cova da Iria, intercalando momentos no Centro Pastoral Paulo VI e nos espaços dos Missionários da Consolata.
O movimento de pastoral juvenil, focado no primeiro anúncio através de um retiro de três dias em regime de internato, foi fundado em maio de 1968, em Castelo Branco, pelo padre Valente de Matos.
O patriarca de Lisboa desejou que este 52.º Encontro Nacional seja mais do que “um belo momento na história dos Convívios Fraternos”, apontando a “um novo começo”.
“Que daqui saiam comunidades mais vivas, corações mais disponíveis e discípulos mais missionários. Porque o mundo não precisa apenas de cristãos reunidos. Precisa, sobretudo, de cristãos unidos para servir”, concluiu.
OC
