Venezuela: «Os madeirenses têm-vos sempre no coração», diz D. Nuno Brás a emigrantes portugueses, em visita ao país após sismos

Bispo do Funchal esteve num lar, onde contactou com gerações mais antigas da comunidade madeirense, e encontrou-se com população portuguesa residente em Caracas e La Guaira

Foto: D.R.

Venezuela, 14 ago 2026 (Ecclesia) – O bispo do Funchal está de visita à Venezuela, até domingo, após o duplo sismo que atingiu o país no final de junho, e tem contactado com a população emigrante portuguesa, transmitindo-lhe solidariedade.

“Quero dizer-vos que os madeirenses vos têm sempre no coração, nunca se esquecem dos seus conterrâneos que aqui estão na Venezuela”, afirmou D. Nuno Brás, na quarta-feira, na passagem pelo Lar “Padre Joaquim Fonseca”, ligado à comunidade portuguesa, em Los Anaucos, informa o Jornal da Madeira.

A visita ao país sul-americano iniciou-se na quarta-feira, a convite do arcebispo de Caracas, D. Raúl Biord, sendo esta uma viagem que, explica o responsável católico do Funchal, “surgiu quase espontaneamente depois dos terramotos de 24 de julho”, e incluiu, esta quinta-feira, o encontro com comunidades portuguesas residentes em Caracas e na região de La Guaira, afetadas pelos sismos.

D. Nuno Brás conta que partiu para a Venezuela levando consigo o carinho de muitas famílias madeirenses: “Muitos foram aqueles que me disseram: ‘Vá! Tenho lá primos, irmãos, família. Gostava de lá estar; como não posso, vá o Senhor’”.

Evocando Fernando Pessoa, o bispo do Funchal citou, no lar, a expressão “Aqui ao leme sou mais do que eu, sou um povo” para explicar o significado que atribui à sua presença junto das comunidades emigrantes.

Eu aqui, de facto, sou mais do que eu, sou o povo madeirense que não vos esquece”, sublinhou.

O bispo lembrou também aqueles que, ao longo de décadas, apoiaram o desenvolvimento da Venezuela e mantiveram uma forte ligação à terra de origem.

“[A Madeira] não esquece também aqueles que são os avós, que contribuíram tanto para aquilo que é a Venezuela e para aquilo que é a Madeira”, disse.

Ainda no Lar “Padre Joaquim Fonseca”, o bispo assegurou às gerações mais antigas de emigrantes que a distância e o passar dos anos não diminuíram a ligação à terra de origem, deixando também uma reflexão sobre o envelhecimento.

Foto: D.R.

“Quero ser a presença de Jesus Cristo, que nos diz para olharmos sempre mais longe, que nos diz para olharmos mais além do nosso espelho”, referiu.

Segundo o bispo, a vida não se mede apenas pela força física, destacando que aquele que acredita, “ainda que o corpo mortal se vá tornando velho, o seu espírito continua vivo, cada vez mais jovem, porque se aproxima daquele que é a eterna juventude que é Jesus Cristo”.

“O nosso corpo vai perdendo faculdades, mas o nosso espírito vai-se aproximando de Jesus”, assinalou.

D. Nuno Brás fez referência à proximidade à solenidade litúrgica da Assunção de Maria, a 15 de agosto, e à festa da padroeira da Madeira, que permitiram reforçar os laços entre a comunidade emigrante e a Diocese do Funchal.

“Através de mim é também a Senhora do Monte que vos visita e vos abençoa”, indicou.

A visita pastoral de D. Nuno Brás à Venezuela teve início com a chegada do bispo ao Aeroporto Internacional de Valência na madrugada de quarta-feira, tendo sido recebido, entre outros, por D. Jesús González de Zárate, arcebispo daquela região, e pelos conselheiros das Comunidades Madeirenses Nelson Nunes e Danny Figueira.

O bispo esteve na sede da Conferência Episcopal Venezuelana, onde se encontrou com a direção e responsáveis da Cáritas do país.

De acordo com o Jornal da Madeira, um dos primeiros momentos religiosos decorreu na Capela de Nossa Senhora de Fátima, em El Junquito, onde o responsável católico rezou o terço com os emigrantes portugueses, seguindo-se a celebração da Eucaristia.

No sábado, o bispo do Funchal vai presidir, às 18h, a uma Missa dedicada a Nossa Senhora do Monte, no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Carrizal, permitindo à comunidade madeirense viver na Venezuela uma celebração ligada à identidade religiosa do arquipélago.

A Venezuela foi atingida por dois sismos de magnitude 7,2 e 7,5, que ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, citado pela Agência Lusa.

Entre os 6.301 mortos, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.

LJ

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