Luxemburgo: D. Américo Aguiar preside à procissão de Nossa Senhora de Fátima e apela à oração, conversão e paz

Cardeal dirigiu «palavra muito especial aos emigrantes portugueses e lusófonos», na Eucaristia em Wiltz onde esteve presente o presidente da Assembleia da República de Portugal

Foto: Estifanos Fikadu

Wiltz, Luxemburgo, 16 mai 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal presidiu pela primeira vez à procissão de Nossa Senhora de Fátima, em Wiltz, no Luxemburgo, e, na Eucaristia, deixou um apelo à oração, conversão e paz, tal como há 109 anos fez a Virgem Maria na Cova da Iria.

“Estes três pedidos continuam profundamente atuais”, afirmou D. Américo Aguiar, perante os peregrinos, a maioria da comunidade portuguesa emigrada naquele país, informa o gabinete de comunicação da diocese sadina.

O cardeal salientou que “um mundo sem oração torna-se um mundo sem alma”, referindo que quando se deixa de falar com Deus, começa-se a “perder a capacidade de escutar os outros, de acolher, de amar, de perdoar”.

Rezemos nas nossas casas. Rezemos em família. Rezemos o terço, como Maria pediu. Não como uma repetição vazia, mas como uma escola de contemplação da vida de Cristo com os olhos da Mãe”, pediu.

Na homilia, o bispo lembrou ainda o primeiro aniversário do pontificado do Papa Leão XIV, a 8 de maio, elevando com gratidão “uma oração muito especial” pelo pontífice: “Rezamos para que o Senhor o fortaleça na missão de confirmar os irmãos na fé, de construir pontes de paz e de conduzir a Igreja pelos caminhos do Evangelho, da fraternidade e da esperança”.

O bispo de Setúbal refletiu depois sobre a conversão, destacando que “converter-se não é tornar-se perfeito”, mas antes “voltar o coração para Deus todos os dias”, reconhecer que se precisa do outro, “abandonar a indiferença” e deixar “que o Evangelho transforme” as escolhas, palavras e gestos de cada um.

O cardeal lembrou o dia anterior, em que teve a oportunidade de celebrar a Eucaristia no centro penitenciário do Luxemburgo, descrevendo aquela como uma “experiência profundamente tocante”.

“Entre aquelas paredes, tantas vezes marcadas pela dor, pela culpa, pelo silêncio e pela solidão, encontrei rostos humanos, histórias de sofrimento, mas também sede de esperança, vontade de recomeçar e corações à procura de misericórdia”, disse.

Ali, assinalou o bispo de Setúbal, compreende-se que “ninguém pode ser reduzido ao seu erro”, “nenhuma pessoa perde a sua dignidade de filho de Deus”, acrescentando que a Igreja não fecha portas, sendo “chamada a ser presença, escuta, proximidade e esperança para todos — especialmente para aqueles que mais facilmente são esquecidos pela sociedade”.

Em terceiro lugar, o cardeal apontou a paz, que defendeu que “começa no coração”, na maneira como se olha quem pensa diferente, “no perdão dentro das famílias” e quando se escolhe “construir pontes em vez de muros”.

Na Eucaristia também esteve presente o cardeal Jean-Claude Hollerich, arcebispo do Luxemburgo, o primeiro-ministro daquele país, Luc Frieden, e o presidente da Assembleia da República português, José Pedro Aguiar-Branco.

“Celebramos hoje, com profunda alegria e emoção, a solenidade de Nossa Senhora de Fátima. Aqui, no coração do Luxemburgo, longe talvez da terra onde muitos nasceram, mas nunca longe do coração de Deus e da proteção da Mãe, reunimo-nos como povo peregrino, como Igreja em caminho, como família que reza, canta, sofre e espera”, referiu D. Américo Aguiar.

Foto: Estifanos Fikadu, D. Américo Aguiar e arcebispo do Luxemburgo

O bispo de Setúbal fez referência aos dias “de inquietação, de guerras, de divisões, de solidões escondidas, de famílias feridas, de jovens sem horizonte, de idosos esquecidos, de migrantes que procuram dignidade e paz” que se vivem nos dias de hoje.

“Também aqui, neste país que vos acolheu, muitos carregam no coração a saudade, o cansaço, as preocupações com os filhos, com o trabalho, com o futuro. Mas Maria aparece sempre como Mãe. Não vem condenar. Não vem afastar. Não vem dividir. Maria vem aproximar-nos de Jesus”, lembrou.

Na parte final da homilia, o cardeal dirigiu uma palavra “muito especial” aos emigrantes portugueses e lusófonos: “Obrigado! Obrigado pelo testemunho da vossa fé. Obrigado porque continuais a transmitir aos filhos a língua, as tradições, os valores humanos e cristãos. Obrigado porque tantas vezes sois pontes entre culturas, construtores discretos de comunidade e de esperança”.

O bispo enfatizou depois que “Fátima não é apenas uma memória do passado”, mas “uma missão para o presente”.

Sempre que escolhemos o amor em vez do ódio, a reconciliação em vez da vingança, a esperança em vez do desânimo, a solidariedade em vez da indiferença, aí continua a acontecer Fátima”, sublinhou.

O cardeal fez depois um conjunto de pedidos à Virgem Maria, nomeadamente a proteção do Luxemburgo, Portugal, Europa e o mundo inteiro e a “paz na Ucrânia, na Terra Santa e em tantas regiões marcadas pela violência”.

“Peçamos pelos doentes, pelos pobres, pelos jovens, pelas famílias e também por todos aqueles que vivem privados de liberdade, para que nunca lhes falte a esperança de um caminho novo. E entreguemos também a Maria a nossa querida Diocese de Diocese de Setúbal, para que seja uma Igreja sinodal, missionária, próxima dos pobres e capaz de levar esperança ao coração do mundo”, concluiu.

De acordo com a Diocese de Setúbal, a Procissão de Nossa Senhora de Fátima, em Wiltz, no Luxemburgo, foi acompanhada por cerca de 20 mil peregrinos, que não foram afastados pela chuva, frio e granizo.

LJ

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