Vaticano: «Não é o capital que entra num banco em primeiro lugar, mas sim as pessoas», lembra o Papa

Leão XIV encontrou-se com funcionários e representantes de vários bancos italianos, incentivando a manter abordagem centrada no ser humano, numa era de sistemas algorítmicos

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 16 mai 2026 (Ecclesia) – O Papa destacou hoje, no Vaticano, a importância de colocar as pessoas no centro dos sistemas bancários e financeiros e exortou quem trabalha na área a colocar a caridade como princípio orientador das escolhas estratégicas.

“O espírito das vossas fundações serve para recordar a todos, em particular, que não é o capital que entra num banco em primeiro lugar, mas sim as pessoas, e que por trás dos números há homens e mulheres, famílias que precisam de ajuda”, afirmou Leão XIV, num discurso dirigido a funcionários e representantes de vários bancos italianos, publicado pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

Na audiência, que teve lugar na Sala Clementina, o Papa fez referência ao contexto atual em que o “elevado nível de informatização das ferramentas impõe intermediários cada vez mais elaborados e artificiais nas relações interpessoais”.

“Vocês, como herdeiros de uma grande tradição de cuidado humano, são chamados a garantir que aqueles que recorrem aos vossos serviços não se sintam abandonados à frieza de sistemas algorítmicos – por mais eficientes e matematicamente precisos que sejam”, assinalou.

Leão XIV assinalou que, por trás destes sistemas, é necessário que haja, “hoje como no passado, a presença de pessoas prontas a ouvir e ansiosas por fazer o bem”.

Na intervenção, o Papa refletiu sobre as origens e o desenvolvimento dos diversos bancos e cooperativas de crédito presentes, realçando que todos tinham o objetivo comum de “apoiar o empreendedorismo e as finanças públicas e privadas em diferentes momentos da história italiana”.

“Os seus primórdios, marcados pela coragem e pela criatividade, testemunham a complementaridade entre poupança e investimento, entre os setores privado e público, na busca do bem comum e de um crescimento económico sólido”, evocou.

Leão XIV explicou que as instituições financeiras presentes promoveram, de diferentes formas, uma partilha e redistribuição justas da riqueza entre indivíduos, empresas e instituições, tornando os seus benefícios mais acessíveis a todos.

Segundo o Papa, trata-se de “uma função social que se insere perfeitamente na missão que Deus confiou à humanidade de ser guardiã da criação”.

Foto: Vatican Media

Ao longo dos séculos, prosseguiu Leão XIV, o sistema bancário colocou-se no centro dos processos de desenvolvimento económico e social, tornando-se uma “realidade cada vez mais complexa, capaz de influenciar a vida das pessoas”.

“A concentração de capital e a disponibilidade de competências especializadas proporcionaram-lhe vastos recursos económicos, com a consequente dupla possibilidade de se tornar um promotor da partilha equitativa para o bem comum ou, inversamente, um defensor da acumulação egoísta, fonte de desigualdade e miséria”, apontou.

O Papa evocou a história das instituições bancárias italianas, que testemunha “que os intervenientes no mercado financeiro podem fazer o bem não só agindo com retidão, mas também informando e educando as pessoas e as comunidades em que operam sobre o uso prudente e moralmente adequado dos recursos”.

Esta forma de agir, acrescentou, também demonstrou, ao longo do tempo, como garante “o crescimento saudável e duradouro das instituições, dos modelos sociais e das relações”.

Reforçando que “os bancos podem exercer uma grande influência sobre a evolução estrutural de uma sociedade, bem como sobre o seu desenvolvimento cultural”, Leão XIV advertiu contra o recuo “para valores puramente materiais, confundindo fins e meios na vida”, ressaltando que “mesmo na esfera financeira, a pessoa humana deve permanecer sempre no centro”.

O Papa elogiou as instituições bancárias presentes pelas suas diversas iniciativas humanitárias e culturais e encorajou-as a prosseguir neste caminho, promovendo o “apoio mútuo” e a “solidariedade”.

“É a semente da qual nascestes e a raiz sólida e profunda — por mais oculta que muitas vezes possa estar — graças à qual a árvore das vossas organizações continua a crescer e a florescer”, disse.

LJ

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