LOC/MTC: Trabalhadores Cristãos de Braga questionam governo sobre «agenda do trabalho digno»

Movimento operário está «a semear esperança e a gerar vida nova» há 90 anos, e alerta para «um tempo ferido»

Foto LOC/MTC Braga

Braga, 28 abr 2026 (Ecclesia) – A Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) da Arquidiocese de Braga está a celebrar 90 anos, na mensagem para o 1.º de Maio faz várias perguntas “aos governantes”, e alerta para as “injustiças que ferem a dignidade humana”.

“Ainda hoje, no mundo do trabalho, proliferam injustiças que ferem a dignidade humana: horários desumanos, precariedade, medo, exploração silenciosa, desrespeito pelas famílias e desprezo pelos mais frágeis. Há rostos concretos por detrás destas realidades – migrantes, trabalhadores precários, vítimas de acidentes, mulheres pressionadas e jovens sem horizonte”, alerta a LOC/MTC de Braga, numa nota enviada hoje, dia 30 de abril, à Agência ECCLESIA

Estes trabalhadores cristãos afirmam que “caminham lado a lado com milhões de trabalhadores em todo o mundo” que, mesmo nas dificuldades, “continuam a erguer a voz, a cantar a esperança”, e a acreditar que é possível um mundo mais justo, mais humano e mais belo, “um mundo como Deus o sonhou”.

Neste Dia Mundial do Trabalhador, que se assinala esta sexta-feira, no dia 1 de maio, a Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos de Braga faz quatro perguntas aos governantes: “Onde está a agenda do trabalho digno? Porque continuamos a trabalhar ao domingo em serviços que não são necessários à comunidade? Porque querem aumentar os tempos de trabalho e reduzir as horas extraordinárias a ‘bancos de horas’? Porquê os atentados permanentes às famílias, à perseguição das jovens mães, atentando contra a natalidade assumida e responsável”.

O movimento operário da Arquidiocese de Braga salienta que todos têm direito a “uma vida em abundância” (Jo 10,10), que “não devia ser uma vida qualquer com a marca da exploração desenfreada”, nos locais onde deveríam “ser felizes e confraternizar com o dom da vida e do amor”.

“Somos sementes que hão de romper o solo endurecido da injustiça. Hão de abrir fendas nos sistemas que oprimem. Hão de desarmar, com a força do bem, as maldades que proliferam nos ambientes de trabalho. Porque o bem, quando é vivido em comunidade, cresce, multiplica-se e contagia. É assim que Deus age.”

‘A semear esperança e a gerar vida nova’ há 90 anos, a LOC/MTC de Braga celebra este aniversário “com humildade e alegria”, integrados nos 140 anos do movimento operário, e realça que são “herdeiros de uma história de luta, de coragem e de fé”, que os compromete.

“Hoje, mais do que nunca, somos chamados a fazer memória viva. A lembrar os mártires de Chicago, que em 1886 deram a vida para que o trabalho fosse sinal de dignidade e não de opressão. A sua entrega continua a ecoar nos nossos dias, como um apelo que não pode ser ignorado”, desenvolvem.

Os membros da Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos da Arquidiocese de Braga anunciam que “a paz começa em casa, cresce no trabalho e transforma a sociedade”, que a violência, o poder absoluto e a indiferença “não têm a última palavra”, e que é possível outro mundo que “já está a nascer”.

A LOC/MTC Portugal também publicou uma mensagem para a celebração do 1.º de Maio, e assumiu “sérias preocupações” perante os problemas que os trabalhadores enfrentam “e enfrentarão”.

CB/OC

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